Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 16/11/2020
De acordo com o escritor polonês Stefan Zweig, autor da obra “Brasil, País do Futuro”, escrita em 1941, Brasil é sinônimo de progresso em sua narrativa. Entretanto, já no século XXI, a perspectiva otimista do escritor parece não ser a encontrada, sobretudo no setor da prática literária, a qual não é valorizada e, portanto, com um caráter desastroso para a formação de cidadãos. É possível dizer que não só as presões socioeconômicas típicas de um país subdesenvolvido, mas também a ênfase no ensino de ciências da natureza fomentam o satatus quo contemporâneo: brasileiros ricos são piores leitores do que estudantes pobres de países desenvolvidos, conforme os dados da OCDE.
Inicialmente, é necessário afirmar que a facilidade com que se julga hábitos da sociedade não condiz com a complexidade conjuntural. Por exemplo, um dia típico de um trabalhador que possui uma jornada exaustiva de trabalho de 8 horas, a qual pode ser prolongada, mora na periferia e, por isso, pega o transporte público duas ou mais vezes ao dia para áreas com maiores oportunidades, é compreensível que a leitura seja deixada em descaso. Assim, percebe-se que a presença literária na vida cotidiana de uma figura como a exemplificada acima não atenuará o cansaço ou a fome e, dessa forma, a literatura é inútil se comparada à questão sobrevivencialista.
Ademais, outro impasse a ser mencionado condiz com a realidade estudantil de negliência à área de humanas, esta com um caráter revolucionário na própria percepção de mundo e aguçamento do senso crítico social. Isso se mostra evidentemente escasso nas provas do PISA (Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes) e o resultado nada satisfatório do Brasil. A priori, enquanto uma população souber em quanto tempo uma bola jogada para cima vai retornar para o chão ao invés de interpretar e compreender qualquer texto, as esperanças continuarão diminuindo.
Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com ONGs de cunho humanitário, realizar a conscientização populacional por intermédio de palestras educativas e campanhas publicitárias em massa acerca da importância da leitura, especialmente na infância, com indicações de títulos que estimulam a imaginação infantil como, por exemplo, os clássicos de Monteiro Lobato e dos contos norte americana. Espera-se, com tudo isso, uma verdadeira melhoria na projeção do futuro, apesar das dificuldades sociais e culturais impostas por um sistema econômico inerente a essas características. Aliás, quando se gosta de ler, não é um trabalho, mas sim um momento de prazer.