Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 16/11/2020

Hodiernamente a prática da leitura plena encontra diversos desafios na sociedade brasileira, visto que apenas 56% da população tem o hábito de ler, segundo a pesquisa Retratos da Leitura do Instituto Pró-Livro. Isso ocorre devido a fatores como ao aumento do preço dos livros, bem como a carência no incentivo a leitura. Diante disso, espera-se que as autoridades ligadas a mazela tomem providências com o fito de garantir a informação e o bem estar a todos.

Em primeira instância, convém ressaltar que, após a promulgação do AI-5, durante a ditadura militar, toda e qualquer forma de comunicação deveria ter seu conteúdo previamente aprovado e sujeito à inspeção por agentes da administração, com isso, muitos livros foram censurados. Por outro lado, atualmente, apesar de não haver uma restrição direta, os impostos cobrados e, consequentemente, os preços das obras literárias, ainda distanciam leitores dos livros, o que é comprovado pela pesquisa do Instituto Pró-Livro, em que mostra que 30% da população nunca comprou uma obra, reflexo da grande desigualdade e inacessibilidade a livrarias.

Em segundo plano, “A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede.”, frase de Carlos Drummond de Andrade, reforça a falta de procura de livros, isso, pois o pensamento retrogrado, que faz da escola a única responsável pela alfabetização, desvincula o papel dos pais de inserir a criança no meio da leitura e fazer disso um costume lúdico, que traz benefícios no desenvolvimento do processo de criação e imaginação, como também no aprimoramento da leitura, escrita e interpretação. Além disso, as escolas não tem um projeto de instigação ao hábito de ler eficiente, visto que, em alguns casos, é imposto a leitura de obras clássicas que possuem linguagem rebuscada e de difícil entendimento por aqueles que ainda estão na construção de vocabulário, o que acaba por desestimular, ainda na infância, aqueles possíveis futuros leitores.

Em suma, para superar o óbice vigente e garantir a supremacia dos direitos humanos, o Estado e os demais órgão responsáveis devem sanar a problemática. Deste modo, o Ministério da Educação, como meio de assegurador dos direitos humanos, deve diminuir a taxa sobre livros e aumentar a de drogas lícitas, por exemplo, a fim de suprir o desfalque, além de disponibilizar um maior número de bibliotecas públicas, principalmente em regiões mais afastadas, para promover o acesso a informação e educação. Paralelamente, a Escola associada à Família, como meio de primazia de ensino, deve promover projetos literários e adoção de aulas voltadas a leitura, com o fito de agregar o hábito de ler na infância.