Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 07/12/2020
Em “A menina que roubava livros”, frente a um contexto totalitário, a vida da personagem Liesel é transformada pela leitura. Malgrado sua inserção no âmbito artístico, a obra não se restringe somente a esse espaço, haja vista a elucidação fatalista da importância dos livros para o desenvolvimento intelectual e de valores dos indivíduos. Todavia, a prática de leitura é, não raro, um costume desvalorizado e esquecido pelos brasileiros. Isso porque, decerto, o uso exagerado das tecnologias e a carência de incentivo familiar são desafios que tangem a questão.
A princípio, segundo o procedimento genealógico de Friedrich Nietzche, toda complicação deve ser entendida sob um prisma estritamente histórico. Nesse ínterim, observa-se que a Revolução Técnico-Científica foi um grande agente modificador dos comportamentos cívicos, uma vez que introduziu novos aparatos tecnológicos, como as redes sociais e os jogos virtuais, que impactam negativamente o hábito de leitura. Consoante a isso, é evidente que o uso exacerbado da inteligência artificial, sobretudo por jovens, relega o exercício literário a segundo plano. Por conseguinte, a construção de valores, a criatividade e a interpretação das crianças são afetadas, podendo culminar em adultos apáticos e sem compreensão dos eventos em sociedade.
Outrossim, é fulcral pontuar o não estímulo da família no processo de leitura dos infantes. Em face desse exposto, de acordo com a teoria da “tábula rasa”, delineada por John Locke, o ser humano nasce como uma folha em branco e, a partir de suas experiências e convivências, assimila o que está ao seu redor. Diante dessa óptica, constata-se que o não hábito de leitura e o não incentivo a ela pelos responsáveis geram indivíduos que também não possuem tal hábito, reiterando o pensamento do filósofo empirista. Em decorrência disso, é notável a relevância da presença efetiva da família no desenvolvimento educacional e psíquico das crianças, potencializando e mantendo a atividade literária.
Logo, é imprescindível que o Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, aborde nas escolas os perigos do emprego excessivo de tecnologias e a importância da leitura para os alunos, recorrendo a aulas didáticas, a fim de evitar o esquecimento desse ato pelos alunos. Cabe, ainda, aos brasileiros incentivar a leitura ativa, por intermédio de veículos de comunicação, com objetivo de fortalecer o senso crítico e pluralizar a literacia em todas as idades. Por fim, será possível que muitas pessoas mudem positivamente de vida e de mentalidade, como a personagem Liesel, em “A menina que roubava livros”.