Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 20/11/2020
Em agosto de 2020, os livros foram taxados com impostos de 12% no Brasil, fato que gerou diversas manifestações, em redes sociais, ao redor do país. Essa medida, ao encarecer uma produção que é essencial para o desenvolvimento intelectual dos indivíduos, limitou ainda mais o consumo e o restringiu às altas classes sociais. Com isso, enfrenta-se diversos desafios para a prática da leitura na nação, destacando-se o método utilizado nas escolas para a criação desse hábito e a crescente dificuldade para a aquisição do produto.
Nesse contexto, é válido destacar que o método de ensino utilizado no país não contribui para o hábito da leitura, mas faz com que o estudante leia -quando acontece- apenas para realizar uma prova, não para desfrutar a atividade. Além disso, escolas insistem na leitura de clássicos da literatura que, apesar de importantes para a formação acadêmica do estudante, não despertam seu interesse e ocorrem quando estes não têm o discernimento necessário para o entendimento da obra, que se torna pouco estimulante. Consequentemente, os alunos têm dificuldade em interpretação de texto e, de acordo com o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes -PISA-, no Brasil, 50% dos estudantes de 15 anos não apresentam o nível básico de leitura. Tal dado mostra que a educação na nação é insatisfatória e pouco contribui para o desenvolvimento e aprendizado dos estudantes. Desse modo, evidencia-se que o sistema de ensino brasileiro é deficitário e faz com que os alunos não tenham estímulos para praticar a leitura de maneira proveitosa.
Ademais, após a aprovação dos novos impostos a serem aplicados em livros, que ocorreu em um período em que a compra crescia devido ao isolamento social provocado pela pandemia do Coronavírus, em 2020, deverá implicar em consumo ainda menor deste bem, que passava a impulsionar a economia e o pensamento crítico dos cidadãos. Segundo dados da revista “Relatos da Leitura no Brasil”, o brasileiro lê em média 2,43 livros por ano, dado que tenderá a cair com o aumento no preço do produto, que se tornará cada vez mais restrito às altas camadas sociais e intensificará a falta de informação e acesso ao estudo para os mais pobres. Dessa maneira, a decisão governamental contribui para fortalecer a desigualdade social no Brasil e compactua com a elitização de um produto que deveria ser disponibilizado para todos de forma igualitária.
Em suma, é preciso que o Ministério da Educação, mediante profissionais pedagógicos, elabore novas maneiras de tratar a literatura nas escolas, visando despertar o interesse dos alunos nessa atividade para que o índice de leitores aumente no país. Outrossim, cabe ao Estado reconsiderar o aumento de impostos para o produto, visto que traria mais prejuízos do que benefícios.