Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 20/11/2020

Entre clássicos, como as obras de Machado de Assis, e best-sellers atuais – caso de Harry Potter, série de romances difundida mundialmente – os livros sempre foram alvo de procura pública e configuraram-se como itens de suma importância na aprendizagem e na aquisição de vocabulário, por exemplo. Contudo, no Brasil atual, a prática de leitura não tem sido feita de forma tão ampla em âmbito populacional, nem mesmo nas redes de educação. Nesse sentido, tal fato é impulsionado pelo pequeno incentivo familiar e por parte da escola aos estudantes, além do preço elevado dos livros, o que impede a maior difusão da prática, principalmente em classes sociais mais baixas.

Nessa perspectiva, deve-se levar em consideração que a pequena procura por obras literárias é uma consequência direta da não habituação da prática ainda na infância. Sob essa análise, segundo pesquisa da Câmera Brasileira do Livro (CBL), a porcentagem de leitores ativos (pessoas que leem, ao mínimo, 4 livros por ano) no Brasil é de apenas 26%, baixo número que é potencializado pelo apoio limitado da família e da escola quanto a essa questão, em que nem sempre a leitura é transmitida como uma prática didática cativante. Desse modo, demonstra-se a essencialidade do hábito literário desde as primeiras fases de vida.

Ademais, é preciso ressaltar que os altos preços e a tentativa de tributação sobre os livros podem ser obstáculos significativos no que tange ao problema da leitura. Nesse contexto, de acordo com o portal O Tempo, um dos projetos referentes à proposta de reforma tributária atual é a cobrança de impostos sobre obras literárias. Sob esse viés, considera-se que a medida pode elevar os preços de tais produtos, fazendo com que o acesso à leitura seja ainda mais restrito. Assim, além dos problemas quanto à acessibilidade da população, a taxação sobre livros pode gerar falências de livrarias e editoras pelo menor alcance de vendas, por exemplo.

Portanto, é necessário que o Ministério da Economia, com o apoio do poder executivo, reveja e não prossiga o procedimento de taxação de obras literárias, dando maior ênfase a outras áreas no processo de reforma tributária. Nessa lógica, a necessária revisão da carga tributária, caso não envolva a área literária, pode trazer benefícios econômicos e educacionais, visto que o incentivo à leitura é fundamental na formação estudantil da população. Desse modo, a sociedade brasileira poderá aumentar os índices do hábito literário no país, podendo desfrutar desde obras clássicas até sucessos atuais.