Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 18/11/2020
Conforme Immanuel Kant, filósofo alemão, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Acerca dessa premissa, é notório que o desenvolvimento intelectual do indivíduo está intrinsecamente ligado à absorção de informação e aprendizado, como, por exemplo, manter um hábito de leitura. Entretanto, configura-se, na atual conjuntura brasileira, um déficit em relação à prática de leitura na juventude em razão da insuficiência de incentivo e desvalorização desse artifício.
Primeiramente, vale destacar a necessidade de estímulo por parte dos jovens. Nesse contexto, o programa “Leia para uma criança”, promovido pelo banco Itaú, difunde os benefícios trazidos pelo exercício de leitura constante – desenvolvimento do senso crítico, estimulação da criatividade – como forma de encorajamento à adoção da prática. Contudo, a escassez de campanhas incentivadoras como esta, juntamente à atuação deficitária dos pilares básicos na formação do indivíduo – a família, a escola e o Estado – em atiçar esse costume, caracterizam um triste cenário de negligência e inércia do tecido social para com o problema.
Em segundo plano, é imprescindível atentar à depreciação crescente sofrida pela leitura. Sob esta óptica, a série norte-americana “Black Mirror” expõe como o avanço da tecnologia afeta o comportamento das pessoas no dia-a-dia. Sob este viés, a relação de dependência entre a atual geração Z e os meios de comunicação modernos propicia o desafeto para com os artefatos “antiquados”, como o livro de papel, e substituição desses por peças eletrônicas. Desse modo, causa-se um desabono da maneira convencional de ler e, por conseguinte, a ampliação do menosprezo para com a leitura em si.
Portanto, é mister que os entraves tangentes à leitura na era da informação sejam mitigados. Urge que o Ministério da Educação, juntamente com o Ministério da Ciência e Tecnologia , por intermédio da mídia e das instituições educacionais, invista em políticas públicas, como a redução e isenção dos impostos sobre os livros, que proponham a difusão e disseminação do exercício da leitura por meio de uma abordagem adaptada ao âmbito moderno hodierno. Sendo assim, é necessário relacionar o desenvolvimento da tecnologia com os velhos costumes, logo, o Estado em parceria com empresas privadas - Saraiva, Kalunga e Amazon- deve possibilitar o uso de leitores digitais – os e-readers, no qual usam um pequeno aparelho que tem como função principal mostrar em uma tela, para leitura, o conteúdo de livros digitais, além de colaborar com investimento monetário e moral com tais instituições. ”Dessa maneira, a educação transformará o cenário brasileiro afetado por esse imbróglio, como foi proposto por Kant.