Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 18/11/2020

A Constituição do Brasil menciona, no artigo sexto, que a educação é um direito de todos. Percebe-se, porém, que não existe a plena concretização dessa garantia, principalmente no que concerne ao enfrentamento dos desafios da prática de leitura. Nesse contexto, a questão se agrava não só pela falta do correto incentivo das escolas, mas também por inércia estatal.

Em primeira análise, cabe ressaltar que obras literárias consideradas de estudo obrigatório nem sempre são apreciadas pelos estudantes. Nesse sentido, segundo reportagem do portal G1, quase metade do público entrevistado afirma não ter o hábito de ler pelo desinteresse desenvolvido na adolescência em razão da falta de compreensão dos textos apresentados, o que evidencia o quão prejudicial a imposição da análise de livros complexos e com faixa etária inadequada pode ter na formação do indivíduo. Sob essa ótica, é inaceitável não tomar providências, como a criação de projetos escolares voltados à leitura livre, em que o aluno escolha o material de interesse e os gêneros com os quais mais se identifica, com o fito de despertar o prazer pela leitura recreativa.

Ademais, enfrenta-se, por vezes, a letargia do Estado. Nesse cenário, o filósofo Thomas Hobbes afirmava que é dever do Estado garantir a educação e isso, hodiernamente, deve se refletir em políticas públicas de estímulo à leitura (como a redução dos impostos sobre livros digitais e impressos), a fim de propiciar momentos de lazer e, principalmente, de aprimorar o desenvolvimento cognitivo e a percepção crítica dos indivíduos. Sob esse prima, não investir na área vai de encontro à proposta de Hobbes, já que explicita a displicência estatal em lidar com a problemática.

Infere-se, portanto, que existem desafios para a prática da leitura no Brasil. Nessa conjuntura, cabe ao governo federal criar mecanismos de incentivo ao hábito de ler, como o desenvolvimento de projetos escolares literários e a redução de impostos sobre os livros, com o auxílio de governantes locais. Espera-se, com isso, aumentar o número de leitores assíduos e efetivar o direito à educação previsto na Carta Magna.