Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 18/11/2020

Para o falecido poeta inglês Joseph Addison, a leitura é para o intelecto humano o que o exercício é para o corpo. Isso porque o ato é capaz de colocar a mente humana em ação, estimulando a criatividade e a capacidade de memória. Entretanto, no Brasil, incentivar pessoas a terem o costume da leitura está sendo um procedimento cada vez mais cheio de empecilhos. Devido, dentre outras coisas, ao fato de que livros estão se tornando inacessíveis e, também, ao aumento do uso de dispositivos que estão deixando a compreensão de texto em segundo plano.

A princípio, para que uma pessoa crie interesse em ler, é preciso que ela tenha opções de livros para que pratique a ação. Assim, ela terá a liberdade de encontrar um assunto, gênero ou autor de seu interesse, tornando o processo prazeroso. Contudo, segundo dados do movimento Todos pela Educação, em 2017, 39% dos estudantes possuía menos de dez livros em casa. E, atualmente, considerando que um único livro custa em média R$ 40,00, caso um indivíduo que receba o valor do salário mínimo vigente de R$ 1.039,00 queira investir em duas unidades do produto, terá um gasto de aproximadamente 8% em relação ao seu ganho mensal. Taxa alta para quem ainda precisa arcar com outros gastos cruciais e que evidencia um dos problemas que torna o costume escasso.

Em segundo plano, vale ressaltar o crescente aumento da tecnologia que proporciona meios de acesso para o entendimento de um conteúdo de forma mais simplificada. Um exemplo disso, são as situações em que se é preferível buscar conhecimento acerca de um assunto por meio de um vídeo do que por meio de um texto. Ou, então, quando um livro é trocado por um filme que retrata a obra ou até mesmo por um audiobook, arquivo de áudio que narra o enredo. Um dado da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil que comprova isso, é que entre os anos de 2007 e 2011, mesmo quando a tecnologia ainda não era tão eminente, o número de leitores caiu em 8% ao mesmo tempo que o número de pessoas que assistiam televisão em momentos de lazer subiu na mesma proporção.

Por conseguinte, nota-se uma população que está deixando de lado um hábito de extrema importância para indivíduos consigam raciocinar claramente. Dessa forma, é preciso que prefeituras, com o intuito de tornar livros, revistas, e outras formas de leitura mais acessível, invista na compra desse materiais e na distribuição por meio de bibliotecas públicas. Além disso, nas escolas, para ajudar os jovens a criarem interesse, é importante que professores apresentem a prática de forma dinâmica. É necessário mostrar aos alunos que a leitura deve ser divertida, deixando-os livres para escolher obras de seu agrado e descobrir novos horizontes ao viajarem pelas histórias. Posto isso, será possível ter uma população cada vez mais informada e treinada para a interpretação, que é inerente ao cotidiano.