Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 22/11/2020

No filme “Central do Brasil“, a célebre personagem interpretada por Fernanda Montenegro escrevia cartas em uma estação de metrô para que as pessoas que não soubessem escrever pudessem se manifestar e demonstrar carinho por seus entes queridos. Infelizmente, a obra retrata uma realidade no país, muitos cidadãos não sabem ou não costumam ler, e esse contexto é problemático, principalmente, para a ampliação do conhecimento na sociedade. Desse modo, é indubitável que por mais que a leitura seja imprescindível para o desenvolvimento educacional, esse hábito não é comum entre os brasileiros, sobretudo, com o futuro da produção de livros comprometido na era digital.

Antes de tudo, vale ressaltar que a Constituição Federal de 1988 assegura a todos os indivíduos, a educação como direito básico, e a leitura tem papel fundamental nisso. Entretanto, dados como os da pesquisa Retratos da Leitura do Instituto Pró-Livro revelam que mais de 40% da população não lê no seu dia a dia. Sendo assim, é inevitável que a relação desses aspectos tão divergentes na atual conjuntura do país interfira no desenvolvimento do Brasil, o que implica em graves consequências no ensino da sociedade e inviabiliza o processo de aprendizado e o pleno gozo do direito.

Ademais, com ampliação do espaço digital na vida dos jovens ocorre, em paralelo, a diminuição ou total isenção da prática da leitura, que atualmente se limita aos caracteres ou às legendas nas redes sociais. Diante disso, há um encolhimento do investimento em editoras e produção de novos títulos conforme foi mostrado na novela “Bom Sucesso“. Essa história, exibida pela Rede Globo, revelou o contexto atual do setor das empresas ligadas a literatura e os efeitos da crise econômica instaurada no Brasil desde 2014, que associada ao desinteresse pelos livros, principalmente, entre os jovens tão ligados às telas, leva ao não investimento nesses negócios.

Portanto, medidas devem ser tomadas para resolver esse impasse. Desse jeito, cabe ao Ministério da Educação desenvolver o hábito da leitura de forma prazerosa e desde a infância. Isso poderá se dar por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, no qual, devem constar ações que ampliem as oportunidades de acesso a livros pela implantação de bibliotecas nas instituições públicas e privadas de ensino. Com isso poderão ser ofertados livros de diversos títulos e estilos para que cada aluno escolha ler sobre o que lhe interessa e para que essa prática se dê de maneira agradável e não por imposição e, em especial, entre os mais jovens, para que com isso, a longo prazo, seja estabelecido o costume de ler entre os brasileiros. Assim, será possível enfrentar os desafios para prática da leitura no Brasil e o analfabetismo, mesmo que o funcional, se limitará a ficção assim como no “Central do Brasil”.