Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 18/11/2020
As políticas educacionais adotadas por Getúlio Vargas, a partir de 1930, embora de grande importância para o avanço da emancipação do ensino, ainda apresentavam inúmeros obstáculos para o acesso de muitos brasileiros. De maneira análoga, ao discorrer sobre a prática da leitura no Brasil, percebe-se que esses obstáculos ainda existem. Desse modo, cabe análise a como os altos preços dos livros e, também, o desinteresse pela leitura, fazem com que a nação brasileira fique cada vez mais distante das páginas de papel.
Antes de mais nada, vale ressaltar que, no Brasil, os livros são comercializados com um valor alto, o que os tornam um luxo. A exemplo disso, o Projeto de Lei (PL) 3.887/2020 prevê a substituição de Cofins e PIS pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), o que faria que os volumes passassem a pagar uma alíquota de 12%. O fim do benefício, segundo avaliação do setor, deveria aumentar o preço dos livros em 20%. Assim, é evidente que não há o mínimo esforço do governo para tornar a leitura uma prática acessível para pessoas de baixa renda, o que se torna um grave problema para a educação brasileira.
Em segundo plano, vale mencionar, também, que, consoante ao sociólogo William Outhwaite, os níveis elevados de desigualdade reduzem tanto as oportunidades quanto os incentivos para os indivíduos e famílias mais pobres, desestimulando-os a investir em sua educação. Além disso, segundo dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, um dos fatores que mais influenciam a leitura, é o incentivo de outras pessoas, sendo a maior influência de 34% dos entrevistados. Destarte, em um meio no qual os principais motivadores são ofuscados, não tarda para que os índices de leitura caiam também.
Mediante ao exposto, nota-se que são muitos os problemas para a prática da leitura no Brasil, com destaque não somente para o alto custo dos livros, mas também para a falta de motivação para ler. Para tanto, é fulcral que o Ministério da Educação, invista, por meios legislativos, em projetos de lei que abaixem os preços dos livros, para que a população possa ter acesso à leitura de maneira mais uniforme, e finalmente a educação brasileira suba nos rankings. Ademais, compete às pessoas incentivar os demais ao ato de ler, diminuindo a desigualdade e guiando-os para hábitos educacionais positivos. Logo, com a realização dessas medidas, será possível que os obstáculos deixados pelas políticas de Vargas sejam contornados.