Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 05/12/2020

Para a ativista palestina Malala, “um livro, uma caneta e um professor podem mudar o mundo”. Essa frase relaciona-se à educação e seu poder transformador na sociedade, especialmente a prática da leitura. Contudo, os possíveis leitores brasileiros não possuem acesso pleno aos livros e nem são estimulados a desenvolver o hábito, fatores os quais incrementam os desafios do ato de ler no Brasil.

Mormente, a inacessibilidade aos livros potencializa a ausência da leitura no cotidiano brasileiro. Nesse sentido, o alto custo das obras literárias somado com a escassez do quantitativo de bibliotecas de acesso público são fatores de influência negativa para o país. Segundo o pré-modernista Euclides da Cunha, existem dois “Brasis”, um dos privilegiados e outro dos desprivilegiados. Isso significa que uma parcela populacional usufrui plenamente de bibliotecas e livros, enquanto a outra parte sofre sem esses direitos básicos. Conforme a pesquisa Retratos da Leitura do Instituto Pró-Livro, 30% da população brasileira nunca comprou um livro. Sob esse viés, relaciona-se os altos preços das obras e uma sociedade sem prática de leitura, a qual prioriza, dentro de sua realidade social, outras necessidades. Portanto, devido as diferenças entre os brasileiros, é importante buscar uma forma de homogeneizar o acesso aos livros e, consequentemente, aumentar o hábito de leitura no país.

Em paralelo, o contexto do mundo globalizado se torna um empecilho para o interesse nas literaturas. De acordo com o sociólogo Zigmunt Bauman, a configuração social atual representa uma sociedade caracterizada pela “modernidade líquida”, ou seja, marcada pela rapidez dos acontecimentos no cotidiano. Sob essa ótica, a “fluidez” do tempo acontece em detrimento da prática da leitura, pois essa velocidade tão glorificada vai de encontro com os médios e longos textos necessários para o desenvolver do hábito de ler. Dessa maneira, a falta de engajamento e incentivo da população são derivados da “liquidez moderna” e são, também, responsáveis pelo agravamento dos desafios da leitura no cotidiano dos brasileiros. Com isso, nota-se a necessidade de uma mudança de hábitos para a completa inserção do ato de ler no território nacional.

Destarte, o hábito da leitura é fracamente difundido pelo país. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação e Cultura combater essa problemática por meio da ampliação das bibliotecas e dos acervos literários em todas as cidades urbanas e interioranas do Brasil, visando democratizar o acesso aos livros. Além disso, é dever dos centros de ensino nacionais incentivar o interesse pelas leituras, por via das campanhas de conscientização voltadas para o público infanto-juvenil nos espaços públicos e privados, objetivando o desenvolvimento da prática literária. Assim, há a possibilidade de convergir com o pensamento educacional da revolucionária Malala.