Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 20/11/2020

Jean-Paul Sartre afirma no livro “As palavras” que a leitura é um hábito importante para o desenvolvimento intelectual e construção de cidadãos conscientes de seu papel social. No entanto, a prática da leitura regular na sociedade brasileira não se adequa ao índice de um país em desenvolvimento, visto que dados do PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) apontam que apenas pouco mais da metade da população têm o hábito da leitura. Nessa perspectiva, o Brasil ainda é um país em que a literacia é ausente na grande maioria dos lares e o sistema econômico desfavorece o consumo de livros com altas taxações de impostos e pouco incentivo à essa cultura.

Em primeiro plano, as famílias brasileiras não estabelecem a leitura como uma das principais formas para desenvolver o pensamento crítico e criatividade em crianças e jovens, uma vez que percebe-se nas escolas e vestibulares falhas no processo de interpretações de textos considerados essenciais. Assim, para Luís Antonio Torelli, presidente da Câmara Brasileira de Livros, a pouca leitura favorece ao analfabetismo funcional, o que resulta na reprodução de notícias falsas pelo fato de que os indivíduos não se aprofundam nos temas recorrentes da atualidade. Consequentemente, a abstenção de leitura interfere em um bom desenvolvimento intelectual da sociedade.

Ademais, as taxações impróprias de impostos sobre produtos culturais acarretam no pouco incentivo econômico desse mercado, fazendo com que os consumidores deixem de adquirir livros, por exemplo, pelo motivo de que consideram o preço exacerbado. Nesse ínterim, medidas como uma possível nova tributação sobre os livros pelo Ministério da Economia reforçam essa desigualdade em que apenas as camadas mais abastadas da população possuem condições financeiras para manter a prática regular da leitura. Nesse sentido, os livros se tornam artigos elitistas, dado que o preço não se adequa às condições financeiras do brasileiro e mantêm uma recorrente cultura não democrática no corpo social.

Portanto, é necessário que o MEC, em parceria com plataforma digitais, crie o sistema integrado de aluguel de livros digitais por um preço acessível a todas as camadas sociais para que o hábito da leitura seja tão incentivado quanto o das séries de TV. Além disso, é importante que o Ministério da Fazendo proponha leis a serem votadas pelo Legislativo que interfiram na taxação irregular de impostos sobre todos os produtos culturais, incluindo os livros, para que o preço desses produtos não sofram grandes alterações no curso das crises políticas do país. Por meio dessas ações, a prática da leitura será melhor vivenciada pelas famílias brasileiras e o mercado editorial terá condições econômicas de abastecer e fomentar a comunidade literária.