Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 05/12/2020

“Quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê”, essa frase, do escritor Monteiro Lobato, ilustra de maneira análoga a realidade brasileira, em que a leitura é extremamente importante para a formação de um indivíduo e proporcionalmente desvalorizada no país. Infelizmente, os desafios para a prática da leitura no Brasil são muitos e têm raízes principalmente no difícil acesso aos livros e à falta de incentivo à leitura pelas escolas e familiares. Dessa maneira, medidas são necessárias para sanar o impasse.

Em primeira análise, o desinteresse pela leitura é um problema cultural, no Brasil os livros são caros e de difícil acesso. De acordo com uma pesquisa do instituto Pró-livro, 71% dos entrevistados com renda familiar de até um salário mínimo não compram livros; entre os que ganham até dois salários o percentual dos que não compram cai para 57%. Isso ocorre porque o preço médio de um livro é de 25 reais e a leitura é considerada como lazer e não uma necessidade básica. Assim, uma vez que os livros físicos são de complicado acesso, muitos jovens recorrem a caminhos ilegais na internet, com livros pirateados conhecidos como epubs. No entanto, muitas pessoas não conseguem ler nem dessa forma, pois o direito ao uso da internet também não é estendido à toda população.

Em segunda instância, a escola seria a principal atuante na construção do hábito de leitura, no entanto, muitas vezes, esse instituto aplica tal prática de forma errônea, o que acarreta em um resultado contrário, consequentemente, afastando os jovens dos livros. Isso pelo motivo de que algumas instituições de ensino não estimulam mais a leitura como um hábito a ser cultivado e sim, uma obrigação. Logo, algo que poderia ser uma fonte de distração e desfrute, converte-se em algo ruim que deve ser feito apenas em prol de cumprir uma tarefa, como cita o professor Pierluigi Piazzi, ao dizer que o aluno brasileiro não estuda para aprender, mas para tirar nota; pois foi ensinado a agir dessa maneira.

Depreende-se, portanto, a necessidade de fortalecer o hábito de leitura na sociedade. Para isso, cabe às escolas, em parceria com o Ministério da Educação, administrar concursos de escrita, palestras com autores, excursões à livrarias e debates sobre livros que os alunos estejam realmente interessados em ler. É importante aguçar a curiosidade dos jovens, principalmente com analogias a coisas que eles anteriormente apresentam interesse — como, por exemplo, livros em quadrinhos e os filmes de super heróis — e não transformar a atividade em uma obrigação, para que, assim, o hábito de leitura seja estimulado em mais pessoas que, futuramente, serão mais esclarecidas e engajadas socialmente.