Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 12/12/2020
Em “Os Lusíadas”, o poeta Camões narra a expansão marítima portuguesa por um viés antropôcentrico, sendo o homem responsável por suas mazelas e conquistas. Fora da ficção, a realidade brasileira atual demonstra que a sociedade não entende-se como responsável pela problemática dos desafios para a prática da leitura no Brasil, uma vez que essa temática é colocada de escanteio pela população. Nesse sentido, torna-se evidente como causas do problema o analfabetismo e uma base educacional lacunar.
Em primeiro plano, é preciso atentar para o número de pessoas analfabetas, como sendo um empecilho para a consolidação de uma solução. Sendo assim, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua Educação, a taxa de analfabetismo no Brasil passou de 6,8%, em 2018, para 6,6%, em 2019, porém o país ainda tem cerca de 11 milhões de pessoas sem ler e escrever. Portanto, é nítido que com milhões de indivíduos analfabetos é impossível que haja uma prática de leitura por essa parte da população, contribuindo na persistência desse impasse.
Além disso, as dificuldades no exercício de ler, encontra terra fértil na lacuna educativa presente nessa questão. Assim, segundo pesquisa do Instituto Pró Livro, em 2020 o índice de leitura diminuiu 4% no Brasil. Isso posto, para o filósofo prussiano Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Nessa perspectiva, se há um problema social, há como base uma falha didática. Logo, no que tange aos obstáculos no hábito de ler, percebe-se a forte influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido o seu papel no sentido de reverter o problema, pois não está influênciando seus alunos a praticarem a leitura desde às salas de aula.
Dessarte, é nítido que os desafios para a prática da leitura no Brasil precisam de soluções pontuais. Então, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com mídias de grande acesso, criem campanhas educativas — como palestras e comerciais — que localizem e ofereçam assistência para pessoas analfabetas, direcionando elas às escolas para terem oportunidades de aprenderem a ler e escrever, oferecendo livros para praticarem. Ademais, é importante que as instituições de ensino incentivem seus estudantes a lerem desde às salas de aula, organizando saraus, feiras de troca de livros, ou até mesmo, indicando aplicativos para leituras alternativas, como o Walttepad (plataforma gratuita para ler e publicar histórias). Assim, talvez, a sociedade passe a ter hábitos de leitura mais frequentes.