Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 21/11/2020
A Semana da Arte Moderna, que aconteceu em 1922, em São Paulo representou uma verdadeira renovação da linguagem e liberdade de criação literária genuinamente brasileira que teve como objetivo dirimir a lacuna intelectual, o evento marca o início do modernismo no Brasil e tornou-se referência cultural do século XX. Embora seja uma conquista, no Brasil atual, o problema da falta de leitores persiste, visto que analfabetismo funcional e o terrível desempenho escolar aumentam. Dessa forma, observa-se ainda, desafios à prática da leitura em razão do silenciamento social e vazio cultural, emerge um problema complexo, que precisa ser revertido.
Primeiramente, é preciso salientar que o silenciamento social é uma causa latente do problema, dados da pesquisa Retratos da leitura do Instituto Pró-Livro 44% da população não lê e 30% nunca comprou um livro. Nesse viés, segundo Foucault, na idade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Diante disso, verifica-se uma lacuna em torno dos debates sobre os desafios do hábito da leitura, o que contribui com o aumento da falta de conhecimento da população sobre a questão, tornando sua resolução ainda mais dificultada.
Outrossim, a cultura é imprescindível para a identidade de um povo e, indubitavelmente, a leitura é uma ferramenta fundamental de inclusão e de propagação de valores sociais. Entretanto, de acordo com Milton Santos, no texto “Cidadanias Mutiladas”, a democracia, extremamente necessária para a fundamentação cultural do indivíduo, só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, na medida em que os direitos são universais e desfrutados por todos os cidadãos. Dessa maneira, o vão cultural que se perpetua geração após geração em famílias em todo o Brasil influencia no desinteresse nacional pelos livros e sinaliza, também, a ineficiência do sistema educacional na democratização do acesso à leitura.
Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, é preciso que as escolas, em parceria com a prefeitura, promovam espaços para a rodas de conversas e debates sobre a questão no ambiente escolar. Isso pode ocorrer no período de contraturno, por meio da contratação de professores, especialistas no assunto e sociólogos. Além disso, esses eventos devem ser abertos à toda sociedade, a fim de que mais pessoas não apenas compreendam a importância da prática de leitura no Brasil, como também se tornem leitores e cidadãos atuantes na busca de resoluções. A partir dessas informações, poderá se consolidar um país melhor.