Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 22/11/2020
Em Orgulho e Preconceito, renomada obra de Jane Austen, a personagem Elizabeth afirma que não há nada mais divertido que ler, que tudo cansa, menos um bom livro. Porém, se Elizabeth vivesse no Brasil nos dias atuais, se decepcionaria ao ver que muitas pessoas não concordariam com sua frase, ou sequer a conheceriam. O Brasil é um país subdesenvolvido, e, assim como em outras áreas, deixa muito a desejar quando o assunto é leitura. A situação crítica é causada tanto pela falta de incentivo dos mais velhos, como pais e professores, quanto pelo preço alto dos livros, que vêm aumentando a cada ano que se passa.
Primeiramente, vale ressaltar que a educação tem grande relação com o hábito de ler. O costume deve iniciar-se em casa, pelo incentivo dos pais, e ser aprimorado pelos professores na escola, mostrando aos jovens outras realidades além da sua, os ensinando respeitar e descobrir outras culturas através das páginas, além de desenvolver o senso crítico. Porém, uma pesquisa feita pelo Instituto Pró-Livro apontou que quase metade da população não lê, o que equivale a mais de 100 milhões de brasileiros, e isso se torna um problema quando os pais e professores dos jovens fazem parte deste grupo, pois não poderão ensinar a eles a importância da leitura e o quanto ela implica no seu desenvolvimento. Monteiro Lobato disse uma vez que aquele que mal lê, mal ouve, mal fala e mal vê.
Em segundo lugar, vale destacar os altos custos das obras literárias, que aumentam a cada ano. Tal custo torna o livro um artigo de luxo para pessoas menos favorecidas financeiramente, que acabam optando por algo mais barato, porém, de qualidade baixa quando comparado ao livro. A TV e a internet são exemplos de opções que vêm tomando o lugar dos livros, desde a Terceira Revolução Industrial, por serem mais baratas: quase todos possuem TV ou smartphones. Todavia, essas mídias acabam alienando seus consumidores, os impedindo de pensar com clareza e desenvolver o senso crítico.
Diante disso, a atual situação do país em relação à leitura urge em ser corrigida. Para que tal mudança seja possível, o Governo deve se unir com autores nacionais e editoras, a fim de mostrar aos brasileiros, através de palestras realizadas em locais públicos, o quanto o hábito da leitura é importante e pode mudar a vida das pessoas, seja em suas carreiras, nas provas para vestibulares ou as tornando seres humanos melhores, que respeitam e compreendem a cultura e a opinião alheia. Além disso, cabe ao Plano Nacional do Livro tomar medidas para o barateamento dos livros físicos, além de mostrar ao brasileiro que é possível praticar a leitura através do celular, comprando e-books, que geralmente custam menos de dez reais. Também é responsabilidade do Ministério da Educação levar cada vez mais livros até as escolas. Unindo essas três medidas, o Brasil se tornará um país mais justo e melhor.