Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 23/11/2020

No desenrolar do filme “A menina que roubava livros”, é retratada a história de uma jovem que gostava demasiadamente de ler, de modo que ela partilhava os seus diversos livros com os amigos. Entretanto, a ficção diverge do contexto hodierno, tendo em consideração que a prática da leitura, no Brasil, é um negativo desafio para as inúmeras pessoas, uma vez que muitos brasileiros não leem. Nesse sentido, esse fator, que precisa ser eminentemente combatido, provém não só da omissão do Estado, mas também da desigualdade social.

Primeiramente, convém ressaltar que a escassez de medidas que incentivem a leitura é um grave problema governamental. Tal fato ocorre, pois, ainda que na Constituição Federal de 1988 seja previsto o estímulo da educação para os indivíduos, a falta de ações, como as campanhas, as quais retratem os benefícios da leitura para a formação educativa das pessoas, impede que esse direito, na prática, seja devidamente exercido. Nesse âmbito, nota-se uma quebra do Contrato Social proposto pelo filósofo Thomas Hobbes, o qual afirma que é dever do Estado manter a ordem e assegurar o cumprimento das leis. Contudo, verifica-se que o atual contexto se mostra distante da realidade proposta pelo pensador, tendo em vista que, em virtude da negligência estatal, a importância da leitura para o entretenimento, estudo e para adquirir informações, em diversos casos, não é reconhecida pelos adolescentes e infantes, de forma que muitos não dão a devida importância para os livros.                                                                          Ademais, cabe avaliar que muitas pessoas enfrentam a falta de acesso aos livros, devido, principalmente, a questões financeiras. Nesse contexto, é erróneo afirmar que a desigualdade social provém da contemporaneidade, tendo em conta que, com a transferência da corte portuguesa para o Brasil, por volta do ano de 1808, foram fundadas bibliotecas, porém, elas equivaliam a uma exclusividade dos indivíduos que possuíam melhores condições monetárias. De maneira semelhante, vários jovens brasileiros enfrentam a falta de capital para comprarem livros, além de não possuírem, gratuitamente, esses objetos em suas cidades. Logo, situações como essas são extremamente nocivas, dado que a prática da leitura é fundamental para aumentar o conhecimento das pessoas, e a obtenção de aprendizado não deve ser restrita para apenas uma parcela da sociedade.                                                             Portanto, medidas são necessárias para a resolução da problemática. Assim, compete ao Ministério

da Educação - responsável pelos direitos nessa área - disponibilizar materiais escolares didáticos nas regiões precárias brasileiras. Isso deve ser feito por meio de uma parceria com editoras de livros, as quais disponibilizarão esses objetos de estudo com valores promocionais. Essa ação possui a finalidade de conscientizar os infantes a respeito da maneira pela qual a leitura é importante e de incentivar a leitura.