Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 23/11/2020

Ao longo da antiguidade, entre os séculos V e III a.C. diversas bibliotecas foram criadas com o intuito do crescimento intelectual da aristocracia da época, entre elas a Biblioteca de Alexandria e a de Nínive. De maneira análoga ao passado, o interesse pelos livros como forma de aprimoramento pessoal alcançou as mais diversas classes sociais. Desse modo, eleva-se a problemática dos desafios para a prática da leitura no Brasil, cuja população lê cada vez menos, seja pelos atuais valores abusivos dos livros, seja pela elitização da literatura como forma de entretenimento.

Em primeira análise, é importante destacar que as editoras que lançam os seus produtos em mídia física têm dado preferência para edições luxuosas de colecionador. Isso é causado pela recessão econômica encontrada por elas, devido a migração de diversos leitores para o meio digital e pela pirataria. Segundo dados do site Editorial J, o preço médio dos livros tem subido cerca de 7% ao ano, com projeções para um crescimento contínuo. Assim sendo, o acesso e a prática da leitura têm sido prejudicados pela dificuldade financeira encontrada pelo cidadão comum ao visitar as livrarias. Logo, é inaceitável que os valores dos livros cresçam tão abruptamente e são necessárias mudanças que reduzam tal aumento percentual e garantam que o acesso à literatura seja compartilhado por qualquer pessoa de qualquer classe social.

Outrossim, é cabível enfatizar que o “status quo” da literatura é relacionado à alta cultura, o que gera uma elitização em torno da arte. Assim parece ser, porque grande parte da população brasileira acredita que para ler e compreender um livro é necessário um alto grau de instrução. Para o filósofo Platão, os livros dão alma ao universo, asas para a mente, voo para a imaginação e vida a tudo. Ao seguir essa linha de pensamento, observa-se que a prática da leitura deveria ser intrínseca aos indivíduos, pois ela é necessária para o autoconhecimento. Dessa forma, é nociva a possibilidade dos livros se restringirem à elite intelectual brasileira, o que gera uma necessidade de inclusão da leitura no currículo escolar de todos os estudantes do Brasil, para o hábito ser introduzido.

É indispensável, portanto, a adoção de medidas capazes de inventivar o interesse dos brasileiros pela leitura e garantir o acesso aos livros. Nesse sentido, o Ministério da Educação deve adicionar ao currículo escolar um programa que trabalhe a leitura dos estudantes desde crianças, de forma gradual e que acompanhe a evolução acadêmica, por meio de distruibuição gratuita de livros e horários dedicados de forma exclusiva à leitura. Dessa maneira, por exemplo, o aluno lerá livros recomendados para sua idade e escolhidos por ele mesmo, criando o interesse e inserindo o hábito. Espera-se, com isso, que a longo prazo, a prática de leitura da sociedade brasileira aumente.