Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 17/12/2020
O Realismo, movimento literário brasileiro, surgido no século XIX, propôs a investigação do comportamento humano e denunciou problemas sociais. Na atualidade, é relevante recuperar estes princípios, uma vez que os desafios para a prática da leitura persistem atrelados à realidade do país, seja pela ausência de infraestrutura, seja pela falta de incentivo.Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias nesse âmbito de modo a tornar a leitura uma constante na sociedade.
Independente do conteúdo ou da finalidade, o ato de ler desenvolve o raciocínio, estimula a criatividade, aprimora a escrita e acumula conhecimentos. Contudo, apesar dos incontestáveis benefícios da leitura, a ausência de infraestrutura perdura como um obstáculo para o Brasil se tornar um país leitor. Estima-se, segundo o Instituto Pró-Livro, que somente 56% da população tem o hábito de ler, e ainda sim, esta parcela não atinge a frequência recomentada. Esse preocupante percentual se dá, muitas vezes, pelo fato da maioria da população não ter condições de investir em livros e terem que recorrer às bibliotecas públicas. Essas instituições, porém, apesar de estarem previstas na legislação, quando se fazem presente, a maioria não apresenta estrutura física adequada, exemplares atualizados e não suprem a necessidade dos possíveis frequentadores.
Além disso, é importante acentuar que a leitura, assim como muitas outras atividades, é um hábito que deve ser consolidado aos poucos, e quanto mais cedo for estimulado mais resultados vai trazer para o indivíduo. Todavia as “leituras obrigatórias” que as escolas insistem em cobrar acabam por colocar o livro no “setor” de incumbências escolares em que o aluno deve ler, ou muitas vezes buscar o resumo, para fazer as provas. Além do mais, a falta de incentivo em casa e a ausência de pais ou responsáveis que sejam leitores contribuem para que a leitura não se tornem uma prática habitual e não façam parte da infância, e mais tarde da vida adulta, de muitos brasileiros, já que segundo a escritora carioca Ana Maria Machado “O que leva uma criança a ler, antes de mais nada, é o exemplo”.
Em virtude dos fatos mencionados, cabe ao Ministério Público, em parceria com o Governo Federal, promover, por meio da implementação da legislação vigente e da elaboração de novas políticas de gerenciamento e controle, uma maior fiscalização da verba direcionada para o setor infraestrutural de bibliotecas e espaços de leitura a fim de garantir uma estrutura adequada para a população. Ademais, concerne as instituições de ensino intercalarem clássicos atemporais com livros mais atuais com o intuito de aguçar o interesse os alunos. Ainda, as escolas devem propor atividades lúdicas relacionadas a literatura, que traga a família para o ambiente de aprendizado, com o intuito de garantir, assim, que a leitura seja uma prática frequente na vida dos cidadãos, independente da idade.
Parte deste incentivo deve vir da escola, uma vez que a criança, desde cedo, passa grande parte do dia na instituição.