Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 29/11/2020

Novas e velhas formas de incentivo à leitura.

Os benefícios percebidos pela prática regular da leitura são incontáveis e vão do aumento do vocabulário, passando pela melhora da escrita até o aguçamento do pensamento crítico. Apesar disso são inúmeros os desafios enfrentados para a continuidade e crescimento dessa prática. Dentre esses desafios se destacam o acesso ao livro e as mudanças comportamentais acarretadas pelo uso da tecnologia.

O acesso ao livro é o ponto fundamental para a criação do hábito da leitura e esse acesso depende diretamente do apoio de três atores: governo, escola e família. O governo tem como missão facilitar e desonerar toda a cadeia que envolve o livro e nesse ponto a manutenção das isenções de impostos é fundamental e não pode ser negociada. A escola deve basear seu ensino no efetivo manuseio e leitura completa de livros, bem como promover o espaço das bibliotecas como espaço de aprendizagem e extensão da sala de aula. E, por fim, a família dando exemplo para os jovens leitores se inspirarem, assim como incentivar momentos exclusivos de leitura em casa.

Não menos importante as mudanças tecnológicas proporcionam um novo padrão de comportamento que não pode ser negligenciado. Segundo a pesquisa “Retratos da leitura no Brasil” houve um perda de 4,6 milhões de leitores, entre 2015 e 2019, para as redes sociais. Nesse mesmo contexto a pesquisa também indica que os principais fatores apontados pelas pessoas para não ler é a falta de tempo e de paciência. Nesse contexto é fundamental pensar em uma forma de aliar esses novos padrões à prática da leitura, deixando de pensar a leitura somente pelo modo convencional (livro físico).

Em vista disso a união de todos os atores envolvidos - governo, escolas e família - tal como a utilização das novas ferramentas tecnológicas, por exemplo ebooks, para fomentar a prática da leitura se torna essencial. Visando incentivar as crianças da primeira idade na imersão da prática da leitura, as secretarias de educação municipais em parceria com as escolas de ensino básico deveriam promover concursos de leitura e escrita entre as salas de aulas de uma mesma escola, e também entre escolas. Esses concursos poderiam se transformar numa disciplina curricular que promoveria de forma mais incisiva a prática da leitura tendo como objetivo final, por exemplo, a apresentação em saraus, a encenação de peças teatrais baseadas nos livros lidos ou a própria escrita coletiva de livros.