Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 26/11/2020
“Enquanto houver lugares onde seja possível a “asfixia social” , enquanto sobre a terra houver ignorância e miséria livros como este não serão inúteis , afirmou Victor Hugo no prólogo de “Os miseráveis” . Embora escrita no século passado , a constatação do escritor francês , lamentavelmente ainda é válida para o atual século , principalmente quando percebe-se os desafios para a prática da leitura no Brasil. Analogamente , a humanidade ainda se vê “miserável” , seja pela ausência de investimentos na área educacional , seja pela desigualdade social.
A princípio , é lícito postular que a ausência de investimento no setor da educação está intrinsicamente ligada ao desafio para a prática da leitura no Brasil. Nesse contexto o filósofo Aristóteles em seu livro “Ética a Nicômaco” , relatou o conceito de “eudaimonia” , ou seja , a felicidade dos cidadãos , a qual está ligada à efetivação de leis que defendem os indivíduos e consequentemente os seus direitos . Sob esse viés , nota-se que o Poder Executivo não efetiva adequadamente o direito à educação , incluindo a prática de leitura , visto que 44% da população não lê , o que incita os desafios da prática no país . Juntamente a esse fato , com o advento da globalização e tecnologia , há o predomínio da alienação tecnológica que corrobora com o desinteresse pelo ato de ler , e tal fato agregado a ausência de investimento na área fomenta barreiras na prática da leitura . Desse modo , observa-se a ausência de eudaimonia .
Ademais , é seguro ratificar que a desigualdade social é fruto do desafio para a prática da leitura . Nesse ínterim , no país há 28.2% da população que não tem acesso a educação , segundo Inep - Instituto nacional de estudos e pesquisas educacionais . Tal fato , retrata a realidade de muitos indivíduos que não possuem condições e o devido acesso à conteúdos e materiais didáticos , o que impossibilita a participação e o crescimento da nação em diversos aspectos da vida , incluindo o financeiro . Dessa forma , a sociedade , incluindo as demais comunidades desfavorecidas são vítimas desse “ciclo vicioso” , o qual é prolongado por diversas gerações e por consequência transmite a " miséria " , descrita por Hugo.
Logo , em virtude dos fatos supracitados , urge a mudança . Faz-se necessária a participação de Ongs , as quais irão trabalhar contra a ausência de investimentos e a devida tarifa pelo valor dos livros , por meio de campanhas televisivas , em “outdoors” , ao reivindicar o direito proposto pela Constituição Cidadã e então melhorar a situação ao que tange educação e prática literária . Além disso , é importante que o Poder Executivo exerça a devida função ao garantir que todos possuam acesso aos livros , instituir leis que ajude os indivíduos menos favorecidos , criar uma rede de apoio em comunidades distribuindo materiais didáticos , a fim de minimizar os desafios para a prática da leitura no Brasil . Doravante , poder-se- à exilar a " asfixia social " e por conseguinte adquirir a eudaimonia .