Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 29/11/2020
De proêmio, os empecilhos para a prática da leitura no Brasil perpetua-se pelo ciclo de desinteresse social e pela inversão de prioridade no investimento em educação pelos órgãos públicos. Isso porque, a falta de incentivo de pais e educadores atrelado ao sistema de ensino metódico e sistemático brasileiro desestimula a criança no primeiro contato com os livros, a medida em que taxam a leitura como obrigação forçada e não como hábito prazeroso. Diante disso, imprescindível a divulgação da importância do hábito literário e democratização do acesso aos livros a fim de despertar o interesse pela leitura ao explorar a diversidade de gêneros e temáticas literárias.
A leitura proporciona conhecimento e educação, cujo domínio da escrita e interpretação desenvolvidos propiciam o engajamento do cidadão no exercício da cidadania à luz da democracia. Sendo assim, os preços e tributos elevados sobre os livros tornam precário seu acesso pois reduz o consumo no contexto de recessão e desemprego, o que demonstra desestímulo governamental. Ademais, a democratização do acesso aos livros far-se-á mediante ressignificação das bibliotecas com sustentabilidade e arte criativa em setores públicos e privados, conforme Lei 12.244/2010, desde que seja assegurada a quantidade ideal e qualidade no conteúdo dos livros ofertados.
Outrossim, conforme ressalta Mário Quintana, “Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas”, tem-se que a leitura transforma a realidade socioeconômica, política e cultural do país. Analogamente, o filme “Escritores da liberdade” (Freedom Writers, EUA, 2007) aborda a didática de incentivo do professor ao aluno para escrever sua própria história a medida em que leem livros clássicos com o fito de identificar-se com a narrativa e motivá-los à leitura. Logo, o prazer pela prática da leitura surge a partir da identificação com o conteúdo lido, razão pela qual a divulgação da diversidade literária é fundamental para que os leitores desenvolvam sua capacidade crítica para exigir seus direitos e deveres e assim mudar a realidade social.
Portanto, o hábito da leitura promove a formação intelectual, cognitiva e cultural da sociedade como um todo. Assim, compete ao Ministério da Economia reduzir a taxação excessiva sobre os livros a fim de torná-los acessíveis, bem como, o Ministério da Educação deve implementar o incentivo de livros paradidáticos com emblemáticas sociais em substituição ao sistema de ensino metódico. Sucessivamente, cabe às escolas promoverem grupos de leituras, realização de feiras literárias em parcerias com editoras e encontros com autores sob responsabilidade da mídia social para divulgação e engajamento social. Por fim, os pais e professores em conjunto possuem papel fundamental para incentivar os jovens à leitura em detrimento de tecnologias massivas, dentro de casa e na escola.