Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 29/11/2020

De acordo com o pensamento de Aristóteles, grande filósofo da antiguidade, o conhecimento era a âncora responsável para se obter a plenitude da essência humana. Nesse contexto, destaca-se a importância da leitura, tanto para a construção individual do ser, quanto para o surgimento de uma sociedade mais engajada. No entanto, ainda há entraves que dificultam o processo de tornar democrático o acesso ao livro no Brasil. Por serem centrados na elitização do preço e na falta de interesse populacional, surgem como causadores do déficit intelectual presente no meio social. Diante disso, discursões acerca da carência da leitura devem ser postas em vigor, a fim de serem devidamente compreendidas e combatidas.

Convém ressaltar, em primeiro plano que, assim como fora promulgado pela Constituição Federal, todos os cidadãos brasileiros possuem o acesso igualitário ao bem estar-social. Porém, é notório que as livrarias apontam em direção, principalmente, aos espaços reservados à elite socioeconômica, como as bibliotecas mais populares, a exemplo da Saraiva e a Amazon, o que torna inquestionável a presença de uma segregação, onde a população mais pobre tende a sair pela tangente no quesito intelectualidade. Parafraseando o escritor Antônio Lobo, um povo que possui acesso à leitura nunca será um povo escravo, o que reforça ainda mais a importância da leitura como base do entendimento histórico brasileiro.

Como consequência dessa elitização de custo no acesso à leitura, que promove o distanciamento da camada mais pobre, é observado um grande bloqueio intelectual imposto a essa parte da população. Nesse sentido, assuntos que toda população deveriam ter conhecimento que, por diversas vezes, não são abordados na grade curricular das escolas públicas e privadas, mas são abordados em livros de diversos setores, não alcançam as mentes da minoria social, somadas à falta de interesse que no âmbito familiar não é incentivado corroboram ainda mais para a falta de engajamento individual. Assim como cita a escritora brasileira Elaine Sakimura, “incentivar a leitura é a forma mais eficaz de disseminar cultura e valores”. Fica claro então, que o acesso à leitura deve ser colocado em prática.

Portanto, é mister que órgãos responsáveis tomem providências para amenizar o quadro atual. Desse modo, urge que o Ministério da Educação promova um maior incentivo e acesso à leitura, por meio da instalação de bibliotecas públicas nas áreas mais periféricas, com livros mais baratos, a fim de evitar a insuficiência intelectual presente nos membros das classes mais baixas. Além disso, deve implementar na grade curricular escolar um “clube do livro” com profissionais da educação, no intuito de compartilhar histórias e experiências obtidas com à leitura. Assim, iríamos ao encontro do pensamento Aristotélico. atingindo a plenitude da essência humana.