Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 30/11/2020
No ilustre filme da Disney “A Bela e a Fera” tem-se a personagem principal como uma leitora nata, em que ela passa grande parte do seu tempo, tanto quando está presa com a fera, quanto quando ainda era livre, lendo livros de seu interesse, sempre pegando novos assim que termina. Fora dos limites ficcionais, infelizmente essa realidade não se aplica nem à metade da população brasileira, principalmente pela falta de incentivo e a consequente falta de interesse, assim como pela difícil acessibilidade por parte da população menos privilegiada. Dessa forma, é visível que medidas precisam ser tomadas para amenizar essa situação.
Vale destacar, a priori, que essa ausência de incentivos e da vontade de praticar a leitura tem se agravado ainda mais nos dias atuais. Isso ocorre porque, com a vinda e aprimoramento das tecnologias, as redes sociais passaram a ser o maior passatempo, principalmente dos jovens, o que fez com que muitas pessoas deixassem de ter a leitura como atividade de lazer. Com isso, mesmo que houvesse o incentivo, em muitos dos casos esse seria ignorado, pelo fato de acreditar-se que existem coisas melhores e mais proveitosas para se fazer. Segundo dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, o país perdeu cerca de 4,6 milhões de leitores entre 2015 e 2019, e dentre os leitores, a maioria afirma que gostaria de ter lido mais, pois acabou usando o tempo livre para as redes sociais. Assim, percebe-se que essa “necessidade” do uso das tecnologias como passatempo precisa ser reavaliada.
Além disso, o complicado acesso aos livros para os indivíduos menos favorecidos também tem piorado atualmente. Tal fato se deve tanto pelo aumento dos impostos sobre os livros, o que os torna mais caros, quanto pela chegada inesperada da pandemia do COVID-19, o que dificultou imensamente o alcance de livros de instituições públicas gratuitas ou de estabelecimentos comerciais mais acessíveis, como sebos. Ademais, essa disponibilidade é extremamente importante, pois a leitura traz inúmeros benefícios como o aumento do vocabulário, melhora na compreensão de textos, e como já dizia Voltaire, “A leitura engrandece a alma”, pois ela também pode aumentar a empatia e o autoconhecimento. Logo, é notório o quão importante é que essa ferramenta torne-se mais acessível.
Diante dos fatos apresentados, torna-se evidente a necessidade de intervenção. Assim, o ministério da educação - principal órgão responsável por gerir os projetos educacionais no país - juntamente com o ministério da cultura, deve, por meio de campanhas de incentivo, motivar o público, principalmente os jovens, a criar um hábito de leitura, e através de novos modos e programas que propiciem o acesso à leitura mesmo durante o período de pandemia, aumentar o número de leitores de baixa renda no país, com o intuito de melhorar a educação e a qualidade de vida dos brasileiros.