Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 01/12/2020

Análoga à Primeira Lei de Newton, a Lei da Inércia, a qual afirma que um corpo tende a permanecer em movimento até que uma força externa atue sobre ele, mudando seu percurso, garantir o hábito de leitura é um problema que persiste intrinsecamente na realidade brasileira. Sendo assim, ao invés de existirem forças capazes de mudarem esse trajeto, a elitização da leitura e a má gestão escolar quanto à temática corroboram a favor do impasse.

A priori, cabe frisar que o Brasil encontra sua maior dificuldade na elitização da leitura. Nesse viés, além de um contexto histórico marcado pela repressão à educação por parte da classe dominante, o preço dos livros atualmente torna inviável essa prática ser feita de forma homogênea na sociedade. Sob essa ótica, destacam-se os casos de fechamento de livrarias por falta de consumidores, como a Saraiva e Cultura nos de 2017, conforme exposto pelo site O tempo. Desse modo, é notório que há necessidade de garantir leitura gratuita ou em menor preço.

Concatenadamente, cabe analisar a má gestão escolar quando relacionado à obrigatoriedade de leitura nas escolas. Todavia, Mario Quintana torna-se correto quando diz que “Os verdadeiros analfabetos são os que aprenderam a ler e não leem”. Contudo, o âmbito escolar tende a errar quando obrigam os estudantes a lerem em troca de pontos na média escolar, pois, assim, nunca verão a leitura como um momento de lazer e sim como uma tarefa escolar. Dessa forma, compreende-se a relevância de trabalhar a leitura como uma porta de conhecimento.

Urge, portanto, a necessidade de medidas interventivas para atenuar o impasse. Posto isso, concerne ao Estado restaurar bibliotecas públicas em municípios com menores taxas de leitura, com livros desde o tempo atual a clássicos antigos, por meio do direcionamento de verba pública, a fim de atingir todos os públicos leitores. Ademais, ao Ministério da Educação, cabe, por meio de filiações com instituições educacionais, a criação de projetos escolares que levariam os estudantes às bibliotecas municipais, na tentativa de fazê-los verem a leitura com bons olhos. Por conseguinte, irão criar-se forças suficientemente capazes de mudarem esse trajeto.