Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 03/12/2020

No dia 10 de maio de 1933, foram queimadas inúmeras obras de escritores alemães que eram contrários ao regime autoritário de Hitler. Nesse sentido, em vista de que os livros são importantes fontes de informação e mecanismos decisivos na construção do caráter crítico social de um indivíduo, a ideia da queima era restringir o acesso aos possíveis conteúdos que poderiam depor o governante em questão. Dessa forma, atualmente no Brasil, os empecilhos da prática à leitura não são tão complexos quanto aos enfrentados na Alemanha, porém o difícil acesso aos livros e a demora no contato entre crianças e a leitura são contribuintes para aprofundarem esse problema no território brasileiro.

Em primeiro lugar, é válido ressaltar que nem todas as camadas sociais possuem fácil acesso às obras literárias, ficcionais, entre outras. De acordo com a pesquisa da revista Retratos da Leitura no Brasil, o país perdeu, nos últimos quatro anos, mais de 4,6 milhões de leitores, além disso, acoplado a esse dado, o IBGE afirma a volta recente do Brasil para o Mapa Da Fome. Ainda sob essa lógica, infere-se que há problemas econômicos e sociais de maiores proporções -como a fome- que afetam as prioridades dos que vivem em tal região, pois como afirma o atual ministro da economia, Paulo Guedes, “os mais pobres estavam mais preocupados em sobreviver do que em frequentar as livrarias que nós frequentamos”, exemplificando a triste realidade dos que não possuem acesso aos livros.

Ademais, a lentidão do primeiro contato entre as crianças e a leitura dificulta a plena prática desse hábito. Do mesmo modo que, embora estudiosos aconselham que o processo de alfabetização comece no ensino básico, estatísticas da BBC news Brasil mostram que apenas 45,3% das crianças do 3° ano do ensino fundamental possuem aprendizado adequado em leitura. Isso se deve, principalmente, pela falta de incentivo das escolas, porque, mesmo quando possuem a opção de inserirem leituras dinâmicas, precisam optar pela grade curricular inflexível com conteúdos maçantes. Logo, as crianças perdem esse contato inicial e, quando mais velhas, pouco se interessam por tal área.

Portanto, é dever do Governo -como órgão responsável por repassar verbas aos estados e municípios- fornecer subsídios financeiros às Prefeituras, as quais devem construir bibliotecas em lugares mais periféricos das principais cidades, por meio da verba do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola), com a finalidade de levar a leitura para todas as esferas sociais. A partir disso, o Ministério da Educação deve flexibilizar a grade curricular, mediante a inserção de debates com autores de livros famosos nas instituições de ensino básico e difundir a necessidade da leitura, para que as crianças reconheçam o privilégio da formação leitora, majoritariamente tenham acesso às bibliotecas criadas e possam usufruir de um direito que os alemães não puderam.