Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 01/12/2020

Por volta do ano de 1815, o Brasil colônia passava pelo Período Joanino (reinado de Dom João VI), o qual foi marcado por diversos avanços na área da cultura e dentre elas, a leitura, com a construção da Biblioteca Real. O país hoje, no entanto, enfrenta desafios no que se diz respeito ao leitor brasileiro e ao seu gosto pelo hábito de ler. A falta de incentivo a pesquisas ou fontes de informação, juntamente à didática não eficiente (seja nos institutos escolares ou até mesmo no ambiente familiar) deste aprendizado contribuem para agravar o quadro.

Em primeiro lugar, é preciso salientar que o reflexo da má prática da leitura se dá através das informações falsas que, em grande parte da população, são colocadas como verdade, sem ser feita sequer uma pesquisa. Isso demonstra certa preguiça e falta de vontade das pessoas ao ser necessário a leitura de artigos, textos em geral, o que chega a ser mais crítico ainda quando se trata de livros, uma vez que acreditar naquilo que é lido vagamente em certa rede social é o caminho mais fácil. Dessa maneira, considerando tal esfera, incentivos ao cidadãos são cruciais devido a importância desta prática, que pode ser exemplificada pela frase do filósofo John Locke “Ler fornece ao espírito materiais para o conhecimento, mas só o pensar faz nosso o que temos.”

Outrossim, a didática utilizada para instigar o apreço pela leitura nem sempre é eficiente, e muitas vezes este é o erro dos pais os quais representam um papel fundamental em tal objetivo. Sistematicamente, famílias e escolas conservadoras tendem a tornar os jovens meros reprodutores de informação, isto é, a imposição obrigatória de tarefas tem como resultado a falta de pensamento crítico e desgosto pelo que é feito, no caso argumentado, a leitura. Não é sempre que as obras tradicionais requeridas nas escolas são a forma mais adequada de transformar pessoas em alfabetizadas letradas, em vários casos Machado de Assis, Guimarães Rosa ou Clarice Lispector não são atrativos para os estudantes, logo, o hábito desfrutar de uma leitura prazerosa não é criado. No livro Fazedor de Velhos, cujo autor é Rodrigo Lacerda, o personagem desde criança recebe uma grande influência dos pais para desenvolver este gosto e cresce em convívio com obras que o agradavam, o que foi primordial para o surgimento de boas oportunidades de emprego posteriormente.

Em vista dos fatos apresentados, é possível concluir que através da leitura, uma pessoa pode tornar-se cidadã, com poder e consciência crítica. Dessa forma, é imprescindível a ação do Ministério da Educação em promover campanhas por meio das mídias sociais (capazes de atingir um público maior e mais jovem) a fim de propagar a ideia e incentivar a leitura por prazer.