Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 01/12/2020

No filme Matilda, a protagonista, desde muito nova, ia sozinha à biblioteca em busca de diversos livros como forma de diversão e passatempo, já que seu irmão e seus pais não eram muito presentes. Isso contribuiu diretamente para sua felicidade e, principalmente, para seu alto desenvolvimento intelectual. Dessa forma, torna-se evidente o papel transformador da literatura na vida de uma criança. No entanto, no Brasil, é relevante falar sobre os desafios para a prática da leitura, uma vez que os aumentos nos preços dos livros e a falta de incentivo configuram-se como agravantes para a situação.

Em primeiro lugar, as crescentes taxas e tarifas sobre os preços dos livros é uma causa latente para a problemática. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a maior parte da renda brasileira está concentrada em 1% da população mais rica. Sob esse viés, a desigualdade de renda presente no país somado a tributos que tornam os livros físicos cada vez mais caros desestimulam não só as editoras e livreiros com os altos custos, como também o consumidor. Com isso, o impacto é direto no acesso aos materiais e, em especial, na leitura, afastando a população do universo literário e, consequentemente, do acesso a mundos e visões diferentes, o que para o educador Paulo Freire, é um universo imprescindível para a formação do senso crítico.

Em paralelo, a ausência de motivação, seja familiar, seja escolar é outro empecilho para a mazela. Segundo o filósofo Durkheim, sendo a sociedade um organismo, quando uma instituição presente nesse grande organismo não cumpre sua função adequadamente, corrobora para uma anomia ou patologia social. Sob essa lógica, a atuação não ativa da escola, dos professores e dos familiares por meio de exemplos no dia a dia, na participação nos momentos de leitura, assim como o pouco investimento em livros e materiais didáticos contribuem para a diminuição da prática da leitura, uma vez que não há impulso. Nesse sentido, a sociedade tem tornando-se cada vez menos crítica, o que afeta o desempenho desta.

É imprescindível, portanto, medidas e intervenções que viabilizem a prática da leitura no Brasil. Pra isso, cabe ao Ministério da Educação, em consonância com as secretarias municipais, a colaboração com editoras, livrarias e sebos. Isso pode ser feito por meio de feiras, rodas de conversa e projetos de literatura nas praças com distribuição de livros, sendo esses eventos abertos à população em geral. Tudo isso a fim de proporcionar o acesso mais fácil à leitura, além de torná-la algo cada vez mais agradável e prazerosa, o que contribuirá para uma sociedade mais pensante e reflexiva como proposta por Freire.