Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 01/12/2020
No filme “A Menina Que Roubava Livros”, a personagem Liesel Meminger tem sua vida transformada, durante a Segunda Guerra Mundial, a partir do início de suas leituras. Fora da ficção, no Brasil atual, o hábito da leitura não é comum, e essa realidade é consequência da falta de incentivo familiar, dependência tecnológica e diversos outros fatores.
Mormente, é válido ressaltar que “Um livro, uma caneta, uma criança e um professor podem mudar o mundo”, conforme o ativista a favor da educação Malala. A partir desse pressuposto, evidencia-se que a leitura é de extrema importância, entretanto, a difícil acessibilidade, causada pelo preço elevado, faz com que a população não adquira o costume da leitura. Outro impasse é a grande quantidade de analfabetos, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), a taxa de analfabetismo no Brasil passou de 6,8%, em 2018, para 6,6%, em 2019, resultado da precária e elitista educação. Assim, as famílias brasileiras não adquirem essas ações no seu cotidiano, e por falta de incentivo, as crianças que não leem possivelmente geram adultos que não manifestam gosto pela leitura.
Outrossim, é fulcral salientar o vício tecnológico. Nesse sentido, o documentário “O Dilema Das Redes”, da plataforma de streaming Netflix, retrata o quão prejudicial é normalizar as diversas horas nas redes sociais, pois mesmo que haja leitura, ocorre uma exibição de imagens, vídeos e afins. Consequentemente, é de se esperar o surgimento de um grande número de analfabetos funcionais, pessoas que, mesmo conseguindo ler, não conseguem interpretar e entender um texto, mesmo pequeno. Dados do Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf) do Instituto Paulo Montenegro, mostram que 20% dos brasileiros de 15 a 49 anos são analfabetos funcionais. Assim, a diversidade da tecnologia, além de ocasionar a falta de interesse pela leitura devido ao fato de os aplicativos prenderem a atenção do usuário por horas, prejudica a capacidade intelectual e gera perda de produtividade. Nesse sentido, observa-se a necessidade de uma resolução para o problema.
Para isso, o Ministério da Educação, responsável pelo sistema educacional brasileiro, deve elaborar informações básicas sobre uma leitura viável para cada faixa etária, por meio de uma cartilha, com a finalidade de incentivar a prática da leitura. Além disso, as instituições de ensino, encarregadas de ensinar e encorajar bons hábitos, devem, através de palestras, instruir os pais a supervisionar o tempo gasto em aparelhos eletrônicos, com o intuito de criar hábitos da leitura. Dessa forma, os brasileiros poderão ter suas vidas transformadas pelos livros, como visto em “A Menina Que Roubava Livros” e a problemática não será mais um atalho para a evolução da sociedade brasileira.