Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 02/12/2020
No livro “Utopia” do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, ideal e igualitária, onde o corpo social caracteriza-se pela ausência de problemas. Entretanto, no Brasil hodierno, a sociedade descrita por More parece utópica, visto que, existem desafios para à prática da leitura que impedem a consolidação de uma sociedade plena. Nesse sentido dois problemas transparecem como principais catalizadores desse desafio: a dificuldade do acesso aos livros e a falta de incentivo à leitura.
Em primeiro lugar é preciso desatacar que existem obstáculos no acesso aos livros no Brasil. Em 2020, a Câmara de Deputados propôs um projeto de lei que substitui o Cofins e PIS pela Contribuição sobre Bens e Serviços. E qual o efeito disso sobre os leitores? O preço do livro sobe em cerca de 20%. Então, num país onde 50% da população sobrevive com menos da metade de um salário mínimo -segundo o IBGE-, esse aumento no preço dos livros representa uma diminuição ainda maior no número de leitores. e, consequentemente, a educação fica prejudicada.
Ademais, acontece que a leitura é um hábito não incentivado na sociedade brasileira, principalmente pela família. De acordo com o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma máquina que produz personalidades humanas. Então, a partir dessa ótica, quando não há o incentivo da família para o hábito da leitura, formam-se personalidades desinteressadas da leitura. As causas disso estão ligadas, entre outros fatores, ao alto valor dos livros e da localização das livrarias, que se concentram em grandes centros urbanos, dificultando o acesso para famílias mais carentes. Assim, abrem-se precedentes para o surgimento de outros problemas: o analfabetismo funcional e as fake News, que são impulsionadas pela falta de leitura crítica das pessoas.
Infere-se, portanto, que o Estado precisa tomar providências para solucionar o quadro de deficiência literária da população brasileira. Sendo assim, cabe ao Governo Federal em parceria com o Ministério da Educação, responsável pelas políticas educacionais do país, realizar seminários trimestrais nas escolas, por meio de educadores e autores literários, com o objetivo de divulgar a importância da leitura e fomentar o interesse pelos livros nos jovens. Além disso, o Governo deve facilitar o acesso aos livros, mantendo os livros isentos de impostos. Assim, poder-se-á fazer analogia a sociedade idealizada de More, com um Brasil em progresso.