Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 04/12/2020

Conforme Cecília Prado, doutora em pedagogia pela Universidade de São Paulo, o hábito da leitura é de extrema importância e possui caráter transformador, visto que promove a independência intelectual, influencia o leitor a pensar por si próprio, além de ser capaz de romper o chamado ciclo da pobreza e superar vulnerabilidades sociais. Assim, apesar dessa prática ser reconhecidamente importante, ela é gravemente negligenciada no Brasil, e isso ocorre principalmente por falta de incentivo familiar, escolar e governamental, sendo necessárias medidas conjuntas e urgentes entre o corpo civil e o Estado para solucionar este cenário.

Nesse aspecto, de acordo com a pedagoga supracitada, o primeiro contato com a leitura deveria acontecer em casa, com os pais e responsáveis durante a infância. No entanto, segundo dados da pesquisa Retratos da Leitura do Instituto Pró-Livro, o brasileiro lê uma média preocupante de apenas duas obras anualmente, e assim, por falta de influência parental, as crianças praticamente não têm contato com elas nessa fase da vida. Além disso, números da mesma pesquisa evidenciam que nem mesmo o sistema de ensino propicia o hábito de ler, uma vez que aproximadamente 30% dos professores não se consideram leitores e, muitas vezes, contribuem com a perpetuação da visão estudantil de que a leitura serve apenas para a realização de testes.

Adicionalmente, neste ano, o então Ministro da Economia Paulo Guedes enviou para a câmara dos deputados uma grave proposta de reforma tributária que impõe uma taxação de 12% em cima dos livros. Dessa forma, fica evidente que o acesso a esses produtos pode se tornar ainda mais complicado, principalmente para famílias de baixa renda, que também é necessitam da literacia promovida pela literatura para alcançarem vagas em universidades conceituadas, bons empregos e futuros mais dignos, por exemplo.

Portanto, com o intuito de promover a ampliação da prática da leitura no país, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com ONGs voltadas para a valorização da literatura, realize projetos de incentivo à leitura, a exemplo do programa “Conta pra mim”, que influencia a leitura por populações mais vulneráveis. Isso deve ser feito por meio de doações de livros - especialmente os atuais e voltados para o público jovem – para bibliotecas públicas, além da disponibilização de obras literárias online e gratuitas. Ademais, com o objetivo de impedir que reformas que dificultam o acesso aos livros sejam realizadas, é imprescindível que a população se engaje contra estas, por intermédio de abaixo-assinados e cartas abertas que esclareçam a importância da leitura para o desenvolvimento pessoal e educacional e apresentem depoimentos que comprovem isso.