Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 03/12/2020

O livro “A menina que roubava livros” do escritor Markus Zusak, se passa no contexto da Segunda Guerra Mundial, no qual a personagem principal tenta resgatar e até mesmo roubar livros que foram proibidos naquele período. Na contemporaneidade, poucos brasileiros parecem ter o amor e o hábito da leitura demonstrado pela garota no filme. Isso se evidencia tanto pela influência dos meios tecnológicos, quanto pela desigualdade social presente na sociedade. Nessa perspectiva, convém analisar os aspectos que influenciam a inercial problemática.

É primordial ressaltar que com o advento da tecnologia, a chegada dos dispositivos eletrônicos, os quais, manuseados em excesso pela criança, passaram a afastá-la do ímpar universo literário. Segundo a pesquisa do IBGE, cerca de 40% das crianças brasileiras possuem smartphones. Essa realidade é resultante da imoderada acessibilidade digital facilitada pela família contemporânea, a qual, integrante de uma sociedade capitalista, substitui o escasso afeto por aparelhos digitais. Logo, evidencia-se que a citada posição parental é um dos principais fatores que diminuem o apreço infantil da leitura.

Ademais, com o abismo social no Brasil, muitas pessoas têm uma situação de ensino precária e outras fazem parte do quadro de analfabetismo. O filósofo Immanuel Kant refletia em sua obra o fato de que a disciplina e a instrução são fundamentais à formação do homem, e o desenvolvimento da moral, é característica da educação prática. Nesse sentido, a educação por meio da leitura, dentro de uma perspectiva integral de indivíduo, é fundamental, uma vez que envolve a dimensão de cuidado e da disciplina. Assim, percebe-se que certas condições vivenciadas por uma parcela da população, não favorecem o hábito da leitura e contribuem com a desigualdade entre as classes sociais.

Infere-se, portanto, que o incentivo à leitura na sociedade brasileira é indispensável. Nessa perspectiva, é imperiosa uma ação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, por meio de campanhas divulgadas pela mídia atentar para a necessidade do incentivo à leitura pela família, com o fito de promover a qualidade da educação desde cedo na vida dos indivíduos, limitando o uso de aparelhos tecnológicos quando necessário. Ademais, cabe ao Ministério da Educação - órgão responsável pelas diretrizes educacionais do país- juntamente às escolas, que devem promover projetos que tragam bibliotecas móveis à áreas urbanas carentes, com livros gratuitos, a fim de salientar a importância do ato de ler e garantir a diminuição da desigualdade e do analfabetismo. Assim, espera-se que a sociedade terá sua vida transformada pelos livros, como visto em “A menina que roubava livros”.