Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 04/12/2020
A popularização da internet e, por conseguinte, o enorme fluxo de informações dão espaço para a disseminação de notícias falsas, que afetam a democracia e alienam a população. Nesse contexto, tal realidade está potencialmente relacionada ao baixo nível de leitura no Brasil, uma vez que os indivíduos possuem o senso critico atrofiado e transformam-se em analfabetos funcionais, devido ao pouco exercício desse hábito. Nessa perspectiva, a prática da leitura não é priorizada, seja pela falta de qualidade da educação pública brasileira, seja pelos altos preços impostos pelo mercado.
Torna-se relevante, de início, uma caracterização dos métodos de ensino do sistema educacional, visto que na busca por notas perfeitas, não valorizam devidamente o aprendizado em si. Sob esse ângulo, desde o início do ensino fundamental escolas adotam paradidáticos que deverão ser lidos no decorrer do ano. No entanto, essa leitura será recompensada em forma de nota, o que acaba por tirar o foco principal que deveria ser o prazer em conhecer mais sobre a obra. Com isso, o processo torna-se enfadonho e mecanizado para as crianças, repetindo-se até a idade adulta quando os vestibulares utilizam a mesma metodologia. Decerto, a leitura precisa ser abordada de maneira diferente, com o fito de buscar o interesse para o conteúdo e não para uma nota insignificante.
Outrossim, a mercantilização elitiza o acesso aos livros, já que a leitura é uma ferramenta indispensável na ascensão social de classes mais pobres. Desde o início, a história brasileira foi construída sobre uma intensa disparidade social e econômica, em que sempre houve um personagem para representar o opressor e o oprimido, como exemplo tem-se os portugueses e os colonizados, os grandes fazendeiros e seus servos. Hodiernamente, essa luta, embora menos evidente, continua entre a elite e as populações periféricas. Nessa conjuntura, Paulo Guedes, Ministro da Economia, apoiou a taxação de livros, aumentando seu valor em até 20%. Devido a raiz da sociedade canarinha, isso não representa somente um aumento de preço, mas uma ressignificação da dominação das classes dominantes, que a todo custo querem manter o seu status quo.
Entende-se, portanto, que medidas devem ser tomadas. Destarte, o MEC deverá orientar as escolas, principal máquina socializadora do Estado, a modificar o Currículos Comum, criando uma matéria direcionada para leitura, em que as crianças poderão escolher livremente um título que as interesse. Para tal, deverão ser disponibilizadas obras contemporâneas e de fácil compreensão. Dessa forma, a leitura será desenvolvida naturalmente. Ademais, o Ministério Público, com a intenção se representar os direitos civis, deverá vetar a taxação de livros, propondo uma medida provisória que congele os preços sobre os livros, tornando-os mais acessíveis. Assim, haverá harmonia social.