Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 18/12/2020
Conforme aduz o escritor Antônio Antunes, um povo que lê nunca será um povo escravo, visto que uma sociedade esclarecida sempre estará comprometida com o exercício da cidadania em sua nação. No Brasil, no entanto, a falta de incentivo à este hábito, em conjunto com a dificuldade de acesso aos livros por parte da população criam empecilhos e consequências perigosas, uma vez que, sem instrução, as pessoas são facilmente manipuladas.
Nesse ínterim, deve-se concordar com o pensador Kant, quando ele afirma que o ser humano é aquilo que a educação faz dele, sendo resultado daquilo que aprende. Assim, se o próprio sistema de ensino brasileiro não incentiva os estudantes a lerem, inevitavelmente a sociedade fica vulnerável à submissão dos posicionamentos alheios, pois a correlação da leitura - fonte de conhecimento - com o posicionamento crítico é quase indissociável.
Outrossim, a pouca oferta de biblioteca no Brasil, associada aos preços abusivos dos livros torna a leitura uma prática elitista e segregacionista, uma vez que impede o acesso da população de baixa renda à literatura em suas mais diversas formas. Desse modo, percebe-se que o acesso ao conhecimento cria uma relação direta com as formas de poder e submissão dentro da lógica política e social do Estado, corroborando com a afirmação do escritor Antônio Antunes.
Dessa forma, para que a democracia seja irrestrita e o povo não se torne submisso ou escravo, é imprescindível que os institutos educacionais brasileiros, no setor público e privado, promovam o hábito da leitura desde cedo para seus alunos, bem como capacite-os a formar um posicionamento crítico diante de tudo o que lê. Ademais, é necessário que o Estado, a livre iniciativa privada, os cidadãos e a mídia repercutam essa ideia ao longo das gerações para o aperfeiçoamento da sociedade e da democracia.