Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 10/12/2020
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico de maior importância no Brasil, prevê em seu artigo 6°, o direito a educação como inerente a todo cidadão brasileiro. No entanto, tal benefício não tem sido colocado em execução quando se observa os desafios para a prática da leitura no Brasil, dificultando, deste modo, a universalização desse direito. Nesse contexto, faz-se necessário a análise de fatores que influenciam esse quadro.
A priori, é importante ressaltar o preço dos livros. Atualmente, existe uma lei que isenta o mercado de livros de pagar PIS e Cofins. A equipe do ministro Paulo Guedes propõe substituir as duas contribuições federais pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), com alíquota de 12%, e acabar com o benefício ao mercado editorial. Sendo assim, mostrando um retrocesso para o país, logo, com o aumento do preço final do livro ficará ainda mais difícil para que esses livros cheguem para as parcelas mais pobres da sociedade. Ademais, segundo o filósofo John Locke, essa problemática configura-se como uma violação do “contrato social”, uma vez que o Estado não cumpre sua função de garantir que a sociedade desfrute de direitos indispensáveis, como educação.
Outrossim, é fundamental apontar o distanciamento entre família e escola como impulsionador da falta de prática da leitura no Brasil. Além disso, às escolas incentivam os alunos entrarem em contato com a cultura, pensamento crítico e leitura, porém o mesmo não tem o “capital cultural”, conceito criado pelo sociólogo Pierre Bourdieu, que compreende os ativos sociais de uma pessoa que promovem a mobilidade social em uma sociedade estratifica. Assim, a família e a escola formam uma equipe, é fundamental que ambas sigam os mesmos princípios e critérios para atingir os mesmos objetivos.
Portanto, há necessidade de se combater esses obstáculos. Pra isso, cabe ao Poder Executivo juntamente com o Ministério da Educação, por intermédio de palestras, cartazes e comerciais, afim de alertar as famílias sobre a importância do hábito da leitura na vida das crianças, adolescentes e adultos, e barrar propostas como essas apresentada pelo Ministério da Economia, pois não basta falar sobre a importância dos livros quando a população têm condições de adquiri-los por causa dos valores. Enfim, consolidará uma sociedade mais pondera, onde o Estado cumpre corretamente o seu “contrato social”, como afirma John Locke.