Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 04/12/2020
Na minissérie “O gambito da rainha” exibida pela Netflix, a protagonista Elizabeth quando pequena se interessa por um livro de matemática o qual sua mãe iria queimar, com isso, ela cultiva o hábito da leitura e desenvolve um domínio incrível sobre a matéria, o que a ajuda em várias ocasiões. Nesse contexto, é notório que a prática da leitura é necessária para o desenvolvimento social do indivíduo. Conquanto, não há dúvidas de que esse costume não é incentivado no Brasil, sendo assim, um desafio contemporâneo para a nação, devido não só a formação familiar, mas também, a ineficiência estatal.
Em primeiro plano, a formação familiar mostra-se como um dos desafios à resolução do problema. De acordo com o sociólogo Talcott Parsons, a família é uma maquina que produz personalidades humanas. Por essa ótica, a problemática interligada a prática de leitura no território nacional apresenta-se como um pensamento passado de geração em geração, o que dificulta seu extermínio por forças externas, já que o problema se encontra dentro das casas dos povos brasileiros e estende-se por uma longa linha do tempo.
Salienta-se ainda, em segundo plano, a ineficácia do estado como uma grande impulsionador desse cenário. Conforme o Artigo 6° da Constituição Federal do Brasil, promulgada no ano de 1988, todo cidadão tupiniquim tem direito a educação. Entretanto, ao se analisar a carência de investimentos e atenção direcionados à prática da leitura, é indiscutível que essa premissa constitucional não é valorizada pelo governo nacional. Dessa maneira, é importante salientar que essa má atuação do Estado provoca um precário desenvolvimento social dos indivíduos que não possuem esse costume e, consequentemente, garante a condição de subcidadania de diversos indivíduos.
Dado ao exposto, fica claro que medidas estratégicas são necessárias para a resolução dos desafios para a prática de leitura no Brasil. É fundamental, portanto, a criação de ações que popularizem o efeito que os antepassados têm sobre a forma de pensar da sociedade atual, pelo Ministério da Educação, em parceria com o Ministério Público. Tais ações devem se dar por meio de vídeos nas redes sociais (maior meio de influência do século XXI) sobre a responsabilidade e a importância que a família tem na formação de uma opinião coletiva e dos indivíduos enquanto seres singulares, além de relatos de experiência, dados estatísticos, visando a quebra de paradigmas socialmente alimentados. Pressupõe-se assim, que os cidadãos atuarão na mudança da realidade brasileira quando comparada a da minisséria citada.