Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 05/12/2020

Em “Anne With an E” - série canadense de 2017 - Anne é uma órfã cuja realidade é solitária e abusiva e, ao encontrar refúgio nos livros, desenvolve sua imaginação e expande seu vocabulário. Esta é a metáfora perfeita para o presente contexto brasileiro, haja vista os desafios para a prática da leitura no país. Diante disso, é fundamental analisar o atual panorama que persiste seja pela não democratização do acesso aos livros, seja pela interferência tecnológica na contemporaneidade para desconstruir essa realidade tupiniquim.

Observa-se, em primeira instância, que a inacessibilidade da literatura faz-se tangível na sociedade brasileira, tendo em vista a desigualdade social do país. Sob esse viés, segundo o economista William Arthur Lewis, a educação sempre foi investimento, não despesa. Entretanto, a ausência de bibliotecas públicas - voltadas, principalmente, para as comunidades carentes - e o elevado custo dos livros impossibilitam a prática da leitura por todo o território nacional e apresentam-se como retrocessos no âmbito educacional, uma vez que a leitura é essencial para o desenvolvimento do indivíduo, pois está relacionada à capacidade crítica e cognitiva dele. Logo, são necessárias medidas que visem democratizar o acesso à literatura no Brasil.

Deve-se abordar, ainda, que a influência do uso das tecnologias na realidade social tem transformado o modo de leitura contemporâneo. Isso é afirmado, pois, dados de 2019 da GlobalWebIndex - empresa inglesa de pesquisa - estimulam que, no Brasil, o tempo médio diário gasto na internet por pessoa é de 225 minutos. Nesse sentido, o uso excessivo de tecnologias como celulares e computadores torna-se um empecilho quanto à prática da leitura ativa, já que ocorre a superexposição do indivíduo a múltiplas informações simultaneamente e a não absorção e compreensão completa de todas. Em vista disso, destaca-se a importância de projetos como o “Kindle”, que transformam os livros físicos em digitais - os e-books - e atraem mais pessoas à leitura.

É urgente, portanto, que o Ministério da Educação - principal responsável por melhorar a qualidade educacional da população - renove, por meio da destinação de verbas específicas para os estados e municípios brasileiros, o acervo das bibliotecas públicas existentes, além de promover a abertura de novas unidades, especialmente nas áreas mais necessitadas, a fim de democratizar o acesso à leitura no país. Ademais, deverá, junto às mídias digitais, conscientizar a respeito da importância da literatura e apresentar as múltiplas possibilidades digitais de leitura ativa, por meio de propagandas informativas e da disponibilidade de “e-books”, com o intuito de aumentar o número de leitores ativos - como a Anne de “Anne with an E” - no Brasil e superar os desafios para a prática da leitura.