Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 05/12/2020
Carlos Drummond de Andrade, um dos poetas mais influentes dos século XX, declarava que livros são uma fonte inesgotável de prazer, entretanto, quase a totalidade não o sente. Desse modo, é possível observar desde do começo os desafios para a prática da leitura no Brasil, que impactam não só na vida acadêmica da população, mas na crítica e opinião de maneira igual. Logo, encontra-se relevante a necessidade de atenuar as causas desse desinteresse, como o pouco encorajamento da leitura em casa e a cobrança de forma errônea dos livros na vida da criança, adolescente e até adulta.
Em primeira análise, quando notamos o falto incentivo à leitura em lares e seu efeito, a relutância em ler torna-se muito mais maciça em idades avançadas, pois seu estímulo é falho em tenra idade. À vista disso, segundo Claudia Onofre, pedagoga e co-fundadora da Torre Forte Soluções Educacionais, ter uma família que incentiva a ler em casa, ajuda a criança a ter um desempenho melhor na escola, a absorver o mundo e transferi-lo de forma mais aberta e vívida e ainda desenvolver melhor empatia e reduzir a timidez. Portanto, não há contrariedades para que a indução aos livros não ocorra, visto que, caso o contrário aconteça, a introdução dos livros em outras oportunidades pode se apresentar altamente difícil e prejudicial, agravando, assim, a já complicada homogeneidade da leitura no Brasil.
Paralelamente, além da pouca ajuda que os talvez futuros leitores têm em casa, na escola, nem sempre a introdução e a cobrança dos livros são propícios. Como sequela, em muitos casos, esse é somado ao ressentimento e raiva dos alunos, no momento que uma coisa nunca ensinada ou orientada, é exigida sem revogações. Nesse cenário, o projeto “Era uma vez”- feito no colégio objetivo em Brasília pela coordenadora Priscilla Martins- é uma forma de ajuda nesse obstáculo, durante a educação infantil de lá, os livros são apresentados de forma recreativa e intuitiva, incutindo o gosto pela literatura de forma gradual e não forçada, para que quando forem cobrados sobre o mesmo no futuro, esse vir com naturalidade e aceitação. Assim, aplacando aos poucos, os desafios da prática prazerosa da leitura.
Em síntese, posto os pormenores relacionados aos impasses advindos da importante prática de ler, são claramente necessárias intervenções. Nesse sentido, é interessante que o Ministério da Educação juntamente com as escolas, planejem um programa incluindo famílias e alunos que incentive a prática da leitura desde a infância nos lares e promova também uma cobrança diferente de livros nas escolas, baseada no interesse de cada aluno, não somente em clássicos longe de suas realidades. Logo, por meio de reuniões e eventos recreativos com palestras, deve ser discutido uma meta a ser atingida e um bônus por cada superação conseguida, com a finalidade de tornar a leitura mais presente em casa e mais animadora nas escolas, atingindo todos aos poucos com o prazer da leitura citado por Drummond.