Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 05/12/2020
Segundo Fernando Pessoa, renomado poeta português, “ler é sonhar pela mão de outrem. Ler mal e por alto é libertarmo-nos da mão que nos conduz. A superficialidade na erudição é o melhor modo de ler bem e ser profundo”. A partir dessa frase, pode-se concluir que a leitura é essencial para a vida e, por meio dela, o ser humano se guia e desenvolve o seu intelecto. Entretanto, essa prática não é muito comum na atualidade, devido, principalmente, à alguns empecilhos, como a alienação da população sobre a sua importância e a pouca acessibilidade a ela.
Em primeiro plano, observa-se que uma grande parte do povo, na contemporaneidade, não tem o hábito de ler constantemente, já que, na maioria do tempo livre, ela prefere mexer nos aparelhos eletrônicos e na internet, visto que, desconhece os benefícios da leitura. De acordo com uma reportagem feita pelo G1, portal de notícias brasileiro, em 2007, haviam 95,6 milhões de leitores, ao passo que, em 2011, esse número foi de 88,2 milhões, queda equivalente a 9,1%. Ademais, 24% dos brasileiros têm o hábito de ler, enquanto 85% costumam ver TV. Observando esses dados, é possível perceber que, com a evolução da tecnologia, a sociedade desvaloriza cada vez mais essa prática.
Em segundo plano, pode-se analisar que não há disponibilidade de livros para todos, tanto pelo elevado custo, quanto pela falta de livrarias nas cidades, de forma mais evidente nas regiões periféricas, consequentemente, o acesso à leitura é reduzido. Consoante com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), “em 2001, 2.374 municípios brasileiros (42,7% do total) contavam com pelo menos uma livraria, enquanto que, em 2018, apenas 985 dos 5.570 municípios brasileiros (17,7%) tinham esse tipo de estabelecimento”. Por meio disso, percebe-se que diversas pessoas perdem a oportunidade de ler, devido, principalmente, à escassez de lugares onde elas podem adquirir os livros.
Portanto, conclui-se que a leitura é de extrema importância, todavia, existem alguns problemas que dificultam essa prática, entre eles, a carência de informações disseminadas para a população sobre os seus benefícios e a escassa acessibilidade a ela. Para amenizar essa situação, urge ao Governo, por meio de campanhas publicitárias, conscientizar a sociedade sobre a necessidade de ler livros constantemente, a fim de ressaltar os benefícios da leitura, por exemplo a obtenção de conhecimento, tanto sobre o mundo, quanto de si mesmo, e mais indivíduos se tornarem leitores. Outra maneira de auxiliar nessa causa é esse mesmo órgão aumentar o número de livrarias, ademais da qualidade delas, por meio do investimento de uma quantidade considerável de verba nessa área, com o objetivo de tornar os livros mais baratos, além de proporcionar um alcance maior, de forma que mais pessoas consigam ter acesso à esses estabelecimentos.