Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 05/12/2020
Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, em 2019, os não leitores (pessoas com mais de 5 anos e que não leram nenhum livro nos últimos 3 meses) somam mais de 90 milhões de brasileiros. Esse exagerado número de brasileiros que não leem é um reflexo do uso indiscriminado das redes sociais e dos preços elevados dos livros no Brasil.
É necessário destacar, desse modo, que a internet e as redes sociais se configuram em um forte agente para a diminuição da prática da leitura. De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, entre 2015 e 2019, o percentual de pessoas que usam a internet nos tempos livres aumentou de 47% para 66%. Ao seguir essa linha de raciocínio, o brasileiro tem ocupado cada vez mais seu tempo livre com as redes sociais e deixado de lado práticas como a leitura.
É importante considerar, também, que, além do uso exagerado da internet, os preços elevados dos livros dissuadem a população brasileira de praticar a leitura. Conforme a empresa de dados Nielsen, em 2019, o preço médio do livro foi cerca de 42 reais no Brasil. Desse modo, é possível perceber que, se um brasileiro lesse o mesmo que um francês (cerca de 21 livros por ano, segundo o Centro Nacional do Livro), gastaria mais de 880 reais anualmente com livros, ou seja, quase 85% do salário mínimo mensal.
Fica claro, portanto, que o uso indiscriminado da internet, aliado aos preços elevados dos livros, representa uma barreira para a prática da leitura no Brasil. Desse modo, cabe às redes sociais promover em suas páginas campanhas de conscientização aos seus usuários sobre a necessidade de aumentar a leitura em seus tempos livres. Cabe, também, ao Poder Legislativo do Brasil a tarefa de aprovar emendas à Constituição que diminuam os impostos sobre os livros, a fim de baratear e aumentar a prática da leitura no Brasil.