Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 05/12/2020

A Constituição de 1988, documento mais importante do país, prevê em seu artigo 6 º, o direito à educação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando observa a prática da leitura no Brasil, o que dificulta, deste modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a falta de leitores na sociedade. Nesse sentido, podemos destacar que o pouco incentivo governamental, preguiça, ausência do hábito de leitura, e a falta de tempo são os principais inimigos dos livros. Sob esse viés, muitos brasileiros não criaram o costume da leitura, uma vez que não foi semeado a cultura da leitura pelos professores nas escolas ou pelos próprios pais em suas casas. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma violação do “contrato social”, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como à educação, o que infelizmente é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar o preço e a acessibilidade como impulsionador da falta de leitores. Segundo a matéria feita pelo site “Estadão”, um dos principais motivos para as pessoas não consumirem tantos livros são os altos preços e a falta de acessibilidade em bibliotecas públicas. Diante de tal exposto, é certo que cidadãos de baixa renda procurem outros modos de ocupar seu tempo livre além dos livros, diminuindo assim, a quantidade de pessoas que leem no Brasil. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, em parceria com bibliotecas municipais, por intermédio de investimentos em medidas educacionais, façam campanhas nas escolas públicas e privadas desde o ensino fundamental, por meio de palestras e eventos, a fim de incluir a cultura da leitura na vida dessas crianças e adolescentes. Assim, se consolidará uma sociedade com uma geração de futuros leitores, em que o Estado desempenha corretamente seu “contrato social”, tal como afirma John Locke.