Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 06/12/2020
O filme futurista “Fahrenheit 451” retrata um cenário diatópico integralmente tecnológico o qual era repressivo em relação a prática da leitura e essa oposição, consequentemente, gerou indivíduos muitas vezes passiveis a atos criminosos pela ausência de uma visão de mundo crítica através dos livros. Fora da ficção, no Brasil, evidencia-se situação semelhante visto que com a falta de incentivo familiar aos jovens e com a crescente demanda do uso de ferramentas virtuais fornecedoras de leituras rasas e superficiais, torna-se possível afirmar que o mundo caótico e desordenado presente na obra cinematográfica está cada vez mais próximo caso não haja mudanças.
Em primeiro lugar, o incentivo familiar é base para o desenvolvimento do hábito de leitura em jovens e , por conseguinte, nos adultos do futuro. Nessa perspectiva, segundo dados do Programa Internacional da Avaliação dos Estudantes (Pisa), é na infância em que se adquirem os costumes e hábitos na vida adulta pelo fato o qual as crianças, em geral, não criam preconceitos reverberados pela sociedade como por exemplo, a perda de tempo com a leitura. Sob este viés, de acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim em sua teoria sobre os processos de socialização, emerge a família a qual corresponde à primeira formação e a inserção social dos jovens e , por isso, deve compreender e disseminar a importância da leitura entre seus membros precocemente a fim de conceber indivíduos mais críticos e impedir as influências estigmatizadas posteriormente aprendidas quanto ao ato de ler, criando assim, um mundo diferente de “Fahrenheit 451”.
Ademais, a ascensão tecnológica retarda ou até mesmo interrompe o contato com os livros e o entendimento das incoerências sociais pela superficialidade de textos e histórias presentes nesta. Sendo assim, indivíduos ao se depararem, na minoria das vezes, com textos extensos nas redes sociais imediatamente os ignoram e assim, não desenvolvem capacidades como interpretar e refletir sobre o que leem as quais são fundamentais para a compreensão das desigualdades sociais e da luta por seus direitos. Em vista disso, conforme o filósofo grego Aristóteles, a abstração da prática na vida humana elucida a ideia de estagnação de comportamentos viciantes e maléficos.
Depreende-se, portanto, a necessidade do ato de ler para a harmonia social humana. Devido a isso, urge que o Ministério da Cidadania juntamente com o da Tecnologia promova a criação de um programa com o tema “Leitura é a navegação dos mistérios da realidade”, o qual disponibilizará bibliotecas itinerantes dispersas em instituições públicas com a presença de livros sobre assuntos relacionados com a respectiva área de atuação dessas sedes, a fim de desenvolver o senso crítico nos cidadãos e um mundo mais pacífico e menos hostil.