Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 06/12/2020

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Para o escritor Carlos Drummond de Andrade, a pedra configura um obstáculo a ser superado. Em sentido análogo, o analfabetismo latente no Brasil associado a desigualdade social configuram desafios a serem transpostos para que a leitura seja plena e igualitária na vida e todos os cidadãos brasileiros.

Em primeiro lugar, a educação é um agente de transformação social e confere dignidade aos indivíduos, sendo ela indissociável para a prática da leitura e da escrita. Entretanto, segundo o jornal Folha de São Paulo, apenas 8% da população brasileira sabe ler e escrever. Esse dado revela a precariedade e a frágil estrutura do sistema educacional brasileiro. Dessa forma, não há margem para que a leitura seja pratica e amplamente difundida, visto que uma grande parcela da população brasileira é analfabeta.

Outrossim, a desigualdade social é um importante entrave na prática da leitura. Isso ocorre porque diversos brasileiros estão imersos na extrema pobreza e não conseguem satisfazer suas necessidades básicas e primordiais. Desse modo, a parcela populacional mais carente não dispõe de recursos financeiros suficientes para investir na comprar de livros, pois a efetivação dessa aquisição pode significar a falta de um alimento ou refeição posteriormente. Exemplificando esse exposto, o escritor Jorge Amado, em seu livro Capitães de Areia, narra a história de jovens moradores de rua que nunca tiveram acesso a leitura e, imersos numa situação social degradante, optaram pelo furto e mendicância para sobreviverem. Portanto, o quadro  de que a leitura é mais presente nas famílias abastadas financeiramente em detrimento das famílias mais carente tende a perpetuar.

Sendo assim, considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. O Ministério da educação deve buscar fortalecer e incentivar a educação básica e diminuir a evasão escolar. Isso pode ser feito através de uma auxilio financeiro aos estudantes carentes e também pela instalação de novas unidades escolares em comunidades onde mobilidade é precária, visando maior adesão da população a educação básica para que aumente o número de brasileiros alfabetizados. Em paralelo, o Governo Municipal e Estadual, interessados na plenitude do seu povo, devem investir na abertura e na manutenção das bibliotecas públicas aumentando a adesão dos cidadãos. Tal ação é viável por intermédio da destinação de verbas públicas para alcançar esse objetivo e também pela ampliação e variabilidade de livros disponíveis nessas bibliotecas, para que todos os indivíduos possam usufruir dos benefícios da leitura. Parafraseando Drummond, se retire as pedras no caminho.