Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 14/12/2020

A Constituição Federal, promulgada em 1988, assegura aos brasileiros e estrangeiros residentes no país garantias fundamentais, dentre elas o direito à educação. No entanto, no que concerne à leitura no Brasil, nota-se que as normas presentes na Carta Magna não são eficientes, visto que o Ministério da Educação afirma que 1 em cada 3 indivíduos não gostam de ler. Esse cenário ocorre devido à uma infraestrutura precária em conjunto com questões educacionais. Logo, faz-se necessário debater acerca dos desafios para a prática da leitura no Brasil.

Em primeira análise, vale salientar que uma infraestrutura deficitária contribui para a existência da questão. Segunda a filósofa alemã Hannah Arendt, o espaço público deve ser preservado para que as condições da prática da liberdade e da manutenção da cidadania sejam asseguradas. Ou seja, sem uma infraestrutura pública, o cidadão é prejudicado. Esse aspecto está presente no que tange às bibliotecas no Brasil, uma vez que a falta de investimento governamental para ampliação de prédios no país prejudica o indivíduo que não tem condições financeiras suficientes para obtenção de livros. Nesse viés, de acordo com dados apresentados, em 2018, pela revista Veja, há somente 1 biblioteca para cada 35 mil habitantes, sendo que mais de 30% se concentram na região sudeste. Assim, a maioria dos brasileiros não tem acesso à acervos e, em consequência disso, torna-se inviável a prática da leitura.

Ademais, a lacuna educacional corrobora para a permanência do problema. Consoante com Immanuel Kant, filósofo prussiano, o homem é resultado da educação que teve. Nesse sentido, percebe-se a forte influência da escola nessa causa, tendo como base que os docentes não ensinam seus alunos a ler por prazer, mas sim por obrigação, dado que quando os professores, em sua maioria, solicitam a leitura de algum livro, não deixam os discentes escolher a obra, o que gera um sentimento de obrigatoriedade e desprazer. Nessa perspectiva, o jornal O Globo divulgou, em 2019, que 82% das escolas públicas brasileiras não têm práticas pedagógicas que estimulam a leitura. Dessa forma, o colégio não tem cumprido seu papel no sentido de reverter o problema.

Portanto, é imprescindível que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Com o intuito de gerar uma sociedade ativa na  literatura, faz-se necessário que o Ministério da Educação forneça, por meio de verbas governamentais, cursos “onlines” aos professores da rede pública que visem ensinar como o docente pode incentivar o estudante a criar o hábito da leitura sem que o processo seja desagradável. Somente assim, os direitos previstos na Constituição Federal serão, de fato, assegurados.