Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 09/12/2020
Com o pressuposto da “Essência do Ser”, Aristóteles preconizara que o ser humano seria completo apenas ao atingir sua essência: um estado pleno do conhecimento possibilitado pela informação e pela cultura. Sob esse espectro, os livros são os principais objetos que permitem tal estado, porém, no Brasil, eles estão, no geral, distantes do cotidiano dos indivíduos. Destarte, a respeito do ínfimo hábito à leitura no país, aponta-se o baixo incentivo familiar como a principal causa, o que afasta história e cultura da sociedade.
Primeiramente, vale afirmar que, desde cedo, os novos integrantes das famílias não encontram estímulo ao hábito da leitura. Isso porque, hoje, a rotina agitada, assombrada pela “Síndrome de Burnout” - espécie de doença atrelada à exaustão da jornada de trabalho atual -, impede a coação benéfica dos responsáveis sobre a prática da leitura. Logo, sem motivação inicial, os mais novos têm dificuldade em incrementar tal ideia como um hábito ou sequer cogitam tal ideia, o que mostra a necessidade de introduzir, de alguma forma, essa prática no cotidiano brasileiro.
Por conseguinte, enquanto essa conjuntura perdurar, o passado e os ensinamentos presentes nos livros são ofuscados. Para depreender melhor, vale evocar a obra “Farenheit 451”. Nela, há uma tentativa do Governo em queimar, literalmente, os acervos literários locais, a fim de limpar o principal arcabouço de conhecimento e cultura da cidade. Nesse sentido, essa negligência geral dos cidadãos do Brasil perante os livros, com tempo, promoverá ação semelhante à da ficção, ou seja, um ofuscamento histórico e cultural. Dessa forma, é imprescindível contornar a atual falta da prática da leitura para viabilizar a essência Aristotélica e coibir qualquer queima cultural a longo prazo.
Portanto, cabe ao Governo do Brasil, na forma das instituições educacionais - como detentoras do poder sobre as diretrizes da educação brasileira -, o dever de, por meio de alterações na Base Nacional Comum Curricular (BNCC), requisitar, aos pais, o arranjar de obras literárias aos filhos (para apresentar em classe) e, aos alunos, a leitura obrigatória de tais, com atividades que ajudem na formação acadêmica e que interfiram no rendimento escolar anual. Com isso, pretende-se levar aos lares de cada criança brasileira o hábito da leitura e exaltar a responsabilidade dos pais em o efetivar, de modo a possibilitar a “Essência do Ser” e, quiçá, cooperar na inoportuna exaustão vivenciada pelos adultos brasileiros diariamente.