Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 09/12/2020
O escritor brasileiro Paulo Coelho disse, com a chegada de “e-books” no Brasil, que o mundo digital é um caminho sem volta. Entretanto, apesar das novas tecnologias que propõem melhorias à sociedade, a prática de leitura entre os brasileiros encontra barreiras como os altos valores dos livros e a falta de estímulo a esse hábito. Nesse contexto, evidencia-se a necessidade de serem tomadas atitudes pelas autoridades competentes para a resolução desses problemas.
Nessa perspectiva, entre as causas que impedem que os brasileiros sejam “mais leitores” estão os valores abusivos dos livros, tanto os impressos quanto os digitais. Desde a época das Capitanias Hereditárias - as quais foram doadas à senhores próximos ao rei - até os dias atuais, o país sofre com uma forte desigualdade social. Nesse viés, as classes mais pobres, majoritariamente, não investem em educação, incluindo os livros, pela falta de recursos.
Ademais, não há estímulo da família para com o hábito de leitura, visto que grande parte associam o aprendizado como obrigação somente da escola. No entanto, a Constituição Federal de 1988 trata a educação como dever compartilhado entre Estado, família e sociedade. Desse modo, a escola também peca ao tratar a leitura como uma tarefa, na qual os alunos leem para adquirir notas e não por se tratar de algo prazeroso que acrescentará no desenvolvimento pessoal. Segundo dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, em 2020, há cerca de 52% de leitores no país, o que significa que quase metade da população não tem interesse por livros.
Portanto, o Ministério da Economia, que é responsável pela formação e execução das políticas econômicas nacionais, deve abaixar os preços dos livros, através da redução das taxas alfandegárias, para que as classes mais baixas possam adquiri-los. Além disso, cabe ao Ministério da Educação a promoção de programas de incentivo à leitura, por meio de aulas dinâmica extras, sem a cobrança de rendimento e aberta ao aluno e à família para a escolha dos livros desejados, a fim de integrá-los ao mundo literário. Assim, é possível que os livros, sejam “e-books” ou impressos, possam ser apreciados por todos.