Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 10/12/2020

Disseminado na Inglaterra ainda no século XVII, o iluminismo apregoava o desenvolvimento da ciência racionalista como forma de progresso de uma nação. Contudo, hodiernamente, o fato de não haver o hábito frequente da leitura no Brasil tem impedido que essa população alcance tal progresso, visto que, a prática de interpretação auxilia o indivíduo em diversas áreas de sua vida. Nesse sentido, pode-se analisar que tal impasse decorre da ausência de incentivo familiar bem como da negligência governamental.

Em uma primeira análise, nota-se como uma das maiores propulsoras no que tange a dificuldade do brasileiro em se adaptar ao habito da leitura, a ausência da literacia familiar durante a infância. Por certo, Monteiro Lobato em “Sítio do Pica-Pau Amarelo”, demonstrou a importância do desenvolvimento da leitura em família para estimular o respeito, a leitura e a valorização da brasilidade. Prova disso, é a personagem Dona Benta, que transmitia o seu conhecimento através da leitura para as crianças. Essa inspiração ficcional é indispensável às famílias brasileiras que, por meio da leitura, podem – e devem – corroborar para a construção de cidadãos aptos à leitura, prontos para lidar com os desafios do cotidiano.

Além disso, sob a perspectiva de Norberto Bobbio, em sua obra “O Futuro da Democracia”, o filósofo pós-moderno atesta a existência de uma “Democracia Ideal” – a do plano constituinte – e a “Democracia Real” – a das promessas não cumpridas e a que ocorre na prática. Com isso, percebe-se a omissão do Estado frente às medidas para que haja uma democratização do acesso aos livros físicos no país. Embora a Constituição Federal garanta os direitos culturais e acesso à essas fontes, na prática, isso não se viabiliza. Os impostos sobre os livros – impostos pelo próprio Governo Federal –, têm como consequência um aumento exacerbado das obras para o leitor, que por sua vez, não realiza a compra. Fatos assim impedem o pleno exercício democrático, concretizando, de fato, a democracia caracterizada por Bobbio.

Sendo assim, diante dos fatos supracitados, faz-se mister a adoção de medidas que solucionem o obstáculo. Logo, cabe ao Ministério da Cultura garantir que toda a população tenha acesso às diversas obras literárias. Isso deve ser feito por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Nele deve constar a isenção de impostos sobre os livros, a fim de garantir um menor preço e tornar a democratização de acesso a esse meio cultural real. Além disso, é de suma importância que o Ministério da Educação invista em propagandas que tenham como objetivo central conscientizar os adultos sobre a importância de desenvolver o hábito da leitura com os infantes, para que no decorrer dos anos, isso seja repassado de geração em geração.