Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 11/12/2020

No filme “O nome da Rosa”, de 1986, é retratado a história em que a Igreja Católica restringe o acesso a livros a poucos monges, por afirmar que a leitura era prejudicial para a salvação dos fiéis. Análogo a isso, no Brasil, a prática da leitura fica restrita a uma pequena parcela da sociedade, e por conta de um legado histórico de um país ineficiente na garantia do acesso de todos à educação, há a perpetuação da cultura de aversão a leitura. Além disso, a grande desigualdade social e de renda, afasta muitos indivíduos das páginas de um livro e contribui para uma sociedade não leitora.

Em primeiro plano, no processo de colonização brasileira, no contexto do século XV, a formação de uma sociedade acadêmica formada em centros de ensino locais foi tardia, dado que instituições de ensino superior eram ausentes até o século XIV. Tendo em vista isso, ainda hoje há uma deficiência no acesso à educação em escolas e universidades o que contribui para a permanência dos mais de 10 milhões de brasileiros em situação de analfabetismo - de acordo com dados divulgados pelo MEC - os quais não sabem ler ou que leem e no entanto não interpretam. Dessa forma, a ineficiência do Estado na garantia de direitos básicos, como a educação, corrobora para um comportamento negligente da população em relação a leitura e coloca obstáculo para superação dessa terrível conduta.

Ademais, o Brasil é o quarto país mais desigual da América Latina, consoante a dados publicados pela Organização das Nações Unidas, e essa desigualdade reverbera no modo de se comportar da sociedade e na relação desta com a leitura, visto que a concentração díspares de renda promove a exclusão da parcela menos abastadas da população do acesso a livros, por conta do baixo poder aquisitivo. Sendo assim, a manutenção dessas assimetrias sociais e econômicas obstrui a democratização da prática da leitura e traz consequências negativas para os indivíduos e sua comunidade.

Considerando o exposto, é imprescindível que o Estado aumente a oferta de centros de ensino com turma de alfabetização para estudantes com dificuldades de leitura e adultos que não tiveram oportunidades, por meio da parceria com empresas privadas que vão oferecer melhores condições de instalação, em troca de incentivos fiscais e isenção de impostos, a fim de diminuir o número de analfabetos e incentivar a prática da leitura por esses novos leitores. Outrossim, é importante que o Ministério da Educação, promova a distribuição de livros voltados para jovens e adultos com baixa renda e estudantes de escolas públicas, através da associação com pequenas e grandes editoras do país e oferta de financiamento com juros mais baixos para essas empresas, com a finalidade de impulsionar a popularização de livros e o consequente aumento no número de leitores.