Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 15/12/2020
O início da implantação da imprensa régia no século XIX foi marcado pela ampla divulgação de folhetins diários, mecanismos essencias para o desenvolvimento da prática da leitura no Brasil. Entretanto, a contemporaneidade brasileira demonstra que a falta de apoio aos hábitos literários representa uma realidade paulatinamente materializada. Nesse sentido, a ausência de incentivo dos professores e pais, assim como a precariedade quanto ao domínio literário, potencializam a desvalorização da leitura no contexto brasileiro.
A Constituição Federal Brasileira determina, a partir da Política Nacional de Leitura e Escrita, a universalização do direito do acesso ao livro e à leitura. No entanto, a ausência de apoio literário dos professores e pais ainda representa uma utopia constitucional, visto que o hábito da leitura é desenvolvido, primordialmente, nos núcleos familiares e escolares. Prova disso, uma pesquisa realizada pelo IBOPE, por encomenda do Instituto Pró-Livro, na qual o ambiente familiar é mencionado como o principal local de leitura e, em segundo lugar, a sala de aula. Dessa forma, evidencia-se que a falta de costume familiar e escolar em garantir o desenvolvimento do exercício literário pode desencadear deficiências e reflexos negativos na vida adulta.
Acrescenta-se que a debilidade quanto ao domínio literário representa um agravante problema para a ascensão intelectual. A exemplo disso, um estudo realizado pelo Indicador de Analfabetismo Funcional, no qual mostra que um em cada quatro brasileiros não consegue realizar tarefas simples que envolvem a leitura. Desse modo, a consequente falta de aprofundamento dos mecanismos de leitura pode levar o leitor analfabeto a uma situação de vulnerabilidade em relação à manipulação social, ocasionada pela fragilidade do conhecimento. A partir disso, observa-se que a frase do escritor português António Lobo Antunes, na qual a leitura é associadada à liberdade, representa uma realidade distanciada do panorama brasileiro.
Nesse contexto, para que os desafios da leitura possam ser substituídos por mecanismos de ascensão literária são importantes medidas interentivas. Para isso, o Ministério da Educação, em conjunto com a Secretaria de Estado da Justiça, Família e Trabalho, deve investir em ações que incentivem a prática da leitura no convívio escolar e familiar, as quais poderão ser garantidas pelo amplo investimento em programas que promovam a participação de pais e professores, evidenciando, ainda, a sua importância para a educação literária básica. Além disso, o mesmo ministério deve atuar na implementação de pedagogias de leitura, as quais fincionarão por meio da interlocução de profissionais capacitados e leitores mediados pelo texto escrito.