Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 16/12/2020

De acordo com o poeta brasileiro Mário Quintana, o verdadeiro analfabeto é aquele que sabe ler, mas não o faz. A partir dessa afirmação, percebe-se a necessidade do incentivo para a adesão desse hábito na sociedade. Entretanto, alguns empecilhos inviabilizam essa iniciativa , tais como a escassez de motivação, durante o início da formação educacional, para a adoção ao costume interpretativo. Essa  falta de estímulo é capaz de resultar no cenário caótico de analfabetos funcionais no país, o qual constituem o grupo de pessoas que, apesar de serem hábeis para a leitura, são inábeis para analisar textos básicos. Logo, faz-se necessário a mudança desse panorama dificultoso.

Primeiramente, cabe pontuar outras motivações que fomentam a problemática da carência no estabelecimento do exercício da leitura no Brasil. Entre elas, podemos citar a ausência na distribuição de materiais literários entre colégios públicos capazes de motivar os alunos, que abordem sobre temas jovens e atuais, o que resulta na desvalorização da importância da interpretação para o cotidiano dos juvenis. Além disso, o alto custo dos livros propulsiona a disparidade entre as classes menos afortunadas, que não conseguem ter acesso aos mesmos recursos em vista dos demais grupos. Assim, nota-se a desigualdade e a dificuldade para o alcance igualitário aos meios para a interpretação da escrita.

Outrossim, preocupantes são as consequências causadas pela soma desses fatores complicados. A baixa capacidade interpretativa, que fomenta analfabetismo funcional, a má formação do senso crítico e da capacidade criativa, gera indivíduos mais suscetíveis à coerção e à alienação, incapazes de analisar, de maneira crítica, o que lêem e o que consomem. Dessa forma, apesar do alto poder revolucionário da leitura, assim como afirma o poeta nacional Antonio Costta, o qual pontua que a leitura floresce novas atitudades, ideias e conceitos, é impossibilitada a experimentaçao essas benefícios.

Portanto, urge a tomada de iniciativas capazes de atenuar tal situação. A escolha de projetos, como o proposto pelo Ministério da Educação, “Conta pra Mim”, que incentiva o hábito da leitura no cotidiano dos jovens e das crianças, é necessária. Esses devem agir de modo a proporcionar campanhas com o objetivo de estender a capacidade interpretativa para todas as esferas da sociedade, independente da idade, que possa alcançar populações mais vulneráveis. Essa ação pode ser feita por meio da distribuição de obras literárias em áreas mais precárias, de maneira a priorizar, com pesquisas e apurações, aquelas regiões em que o acesso é complexo e a educação é deficiente. Só assim será possível desfrutar dos benefícios da leitura, como afirmou Antonio Costta.